sábado, 11 de janeiro de 2014

UM POUCO DE BOA DISPOSIÇÂO

UM POUCO DE BOA DISPOSIÇÃO

Nestes tempos tão conturbados e cinzentos que atravessamos uma leitura de trechos como este que a seguir se reproduz, dão luz à alma e dignificam os intervenientes. Não é por acaso que « o gaúcho Érico Veríssimo, o baiano Jorge Amado e o carioca  José Mauro de Vasconcelos, constituem hoje, o trio exclusivo de escritores brasileiros que podem viver somente  com os direitos autorais de seus livros».    Segue, para mim, esta pérola:


José Mauro de Vasconcelos
Imagem da Internet

Do livro Rosinha  Minha Canoa de José Mauro de Vasconcelos,  a folhas 19.


"Chico do Adeus fuzilou: Sabe de uma coisa Dotô? Eu corri mas foi dela.Essa coisona sem jeito e cum  vois de fêmea qui nunca encontrou macho deu em cima de mim qui num foi vida. Munta veis  eu vinha carretando o gado e ela tava lá na pinguela da Matroca, sentada em cima dos morão, cum as pernas balançano, cum saia alevantada, dano corrente de ar na aranha, pensano qui eu quiria quarqué coisa. Mais cumigo não, muié  tem que sê gente e não essa melancia espetada em duas flechas.”

 Assim, se o Chico do Adeus, tivesse visto outra " muié ", julgo que deveria ter sido diferente a sua descrição e talvez tivesse encontrado outra  palavra diferente de "aranha"  para definir a cena. Eu conhecia já  vários nomes, mas esta de lhe chamar "aranha"  não lembraria ao Demo.


abibliotecaviva.blogspot.pt.

Imagem tirada da Internet-



11-01-2014.