quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A DANÇA DOS FINADOS

 HOMENAGEM A TODOS OS POETAS ANÓNIMOS  DESCONHECIDOS.

Introdução em verso
I
Muito jovem aprendi isto
Que em baixo vou publicar.
                                   Agradeço ao meu Santo Cristo,
                                      Por ainda me recordar.
II
Aprendi com o meu  maninho ,
Que não sabia ler, nem escrever.
Para o Céu lhe mando um  beijinho.
E ,a litania, para se não esquecer.

  III
Abibliotecaviva partilha
Esta sabedoria do Povo!
Para que não fique esquecida,
E efémera,como a casca d´um ovo.

A DANÇA DOS FINADOS

No cemitério da aldeia,
Onde o silêncio campeia,
Vi um drama que vou contar.
Era dia de finados,
E os mortos, muito animados,
Lá andavam a dançar.
Tudo!! estava forrado de preto,
No centro , havia um coreto,
Feito dos ossos da testa.
Os esqueletos, ai que beleza !
Tocavam a Portuguesa
Para darem início à festa.
Que festa tão deslumbrante!!
Feita de luz tão brilhante!!
Que, ainda hoje, me não esquece,
E ,com as tábuas dos caixões,
Faziam de violões
Que serviam de quermesse.
 Mas, neste momento, houve molho !
Entra um esqueleto zarolho
E disse sem receio algum,
Eu, noutros tempos fui polícia
 E todo cheio de carícia
Partiu os ossos a um.
Eu já via piar mochos,
via esqueletos coxos,
E marrecos a gritar !!
Meu coração estava em chama,
Quando acordei estava na cama,
E verifiquei que estava a sonhar.

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09-01-2014.