sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

HIERARQUIA E POLÍTICA.

HIERARQUIA E POLÍTICA

Citação
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    Cada partido político, como qualquer dos seus membros sabe, é uma hierarquia. Por consenso unânime, a maior parte dos membros não trabalha para coisa alguma e ainda paga pelo privilégio. Contudo, existe uma estrutura bem marcada de categorias e um bem definido sistema de promoção de categoria para categoria.
Até aqui apresentei o Princípio de Peter na sua aplicação a funcionários pagos. Vamos ver agora se ele continua válido para este tipo de hierarquia.

    Num partido político, como uma fábrica ou num exército, a competência numa determinada categoria é um requisito para a promoção. Um competente e diligente angariador de votos é susceptível de promoção e pode ser autorizado a organizar um grupo de angariadores. O angariador ineficiente ou antipático continuará a bater às portas, alienando os votantes.
    Um homem rápido a encher envelopes pode esperar ser chefe de um grupo para encher envelopes. Se for incompetente ficará a encher envelopes, calma e desajeitadamente, pondo duas listas em alguns e nenhumas noutros, dobrando mal as listas, deixando-as cair, etc., todo o tempo que permanecer no partido.
Um competente angariador de fundos pode ser promovido ao comité que nomeia o candidato. O facto de ter jeito para pedir não implica que seja um competente juiz de homens como legislador e que não apoie um candidato incompetente.
    Mesmo que a maioria dos membros do comité de nomeação fosse constituída por competentes juízes de homens, o candidato seria escolhido, não pelo seu possível saber como homem de leis, mas sua presumível habilidade para ganhar eleições.

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    Antigamente, quando as grandes assembleias públicas decidiam os resultados das eleições, e quando o falar em público era uma arte nobre, um orador fascinante podia esperar que um partido o nomeasse e o melhor orador entre os candidatos podia ganhar o lugar. Mas não dúvida que a habilidade para encantar, divertir e inflamar uma multidão de dez mil votantes por meio da voz e do gesto não implica necessariamente a capacidade para pensar sensatamente, para debater com calma e decidir com inteligência sobre os interesses da nação.

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    Com o desenvolvimento das campanhas electrónicas, um partido pode apresentar o homem que tem melhor apresentação na TV. Porém, a capacidade para gravar- -- com ajuda da maquilhagem e das luzes --- uma imagem atraente num écran fluorescente não é garantia de competência como homem de leis.
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    Muitos homens, tanto no antigo como no novo sistema, deram o grande passo de candidatos a legisladores apenas para atingir o seu nível de incompetência.


-----É óbvio e o leitor já o terão compreendido, que o Princípio de Peter se aplica também ao ramo executivo: repartições, escritórios, departamentos, agências e gabinetes governamentais, a nível nacional, regional e local. Tudo, desde as forças da polícia às forças armadas, são hierarquias rígidas de empregados assalariados e todas elas estão, necessariamente, sobrecarregadas de incompetentes que não sabem desempenhar as suas funções e que não podem ser substituídos nem afastados.
    Qualquer governo, quer seja uma democracia, ditadura, burocracia comunista ou economia livre, cairá quando a sua hierarquia atingir um intolerável estado de maturidade *.

* A eficiência de uma hierarquia é inversamente proporcional ao seu coeficiente de maturidade (QM).

 QM = Nº de empregados em nível de incompetência / Nº de empregados da hierarquia X 100.

É evidente que quando o QM atinge 100 não será realizado mais trabalho útil.


Fonte:  O Princípio de Peter –  sobre Hierarquia e Política, a folhas  84  a 87.  Publicado pela Editorial Futura em 1971.
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abibliotecaviva.blogspot,pt

31-01-2014