quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O AMOR EXISTE SEMPRE

O AMOR EXISTE SEMPRE

À PERGUNTA “ OS DESGOSTOS DE AMOR CONTINUAM A MATAR-NOS”?

Respondeu Almerindo Lessa: ( Ver curriculum nos posts anteriores sobre o envelhecimento.


Imagem do Google

Dr Amerindo Lessa

“ Se continuam! Então num país, um país como o nosso, sentimentalmente roxo.
Roxo ?
O roxo é a cor do ciúme. Somos um povo de ciúme, um povo de desdobramento do amor.
Em que sentido?
No da divisão. A maior parte de nós tem um amor a que se dedica sensualmente e outro a que se dedica espiritualmente.
E não coincidem?
Quase nunca. Apesar de divididos temos muito agudo o sentido de posse, somos capazes de comer com beijos os objetos amados. Se não nos sentimos retribuídos, podemos morrer de angústia. A pior coisa para nós é a falta de felicidade . Somos extraordinariamente sensíveis a ela.
Mais do que os outros?
Os mediterrânicos são.
E os idosos?
Os idosos choram. Choram muito, emocionam-se muito, sofrem muito com a falta de carinho e com o isolamento. Os quintos andares de Lisboa estão cheios de idosos esquecidos, Lisboa é um terceiro mundo ao domicílio. A sua solidão, o seu abandono, são, por vezes, totais. Dizer que um idoso não ama, não necessita de afagos, de beijos, é uma enormidade. O amor existe em todas as idades.
Que imagem faz de si próprio um idoso?
A de um ser despedido. Despedido pela sociedade e pela família. Sente-se inaproveitado, desarticulado, rejeitado, desintegrado. Sente-se despromovido e foi-o, economicamente, politicamente e eroticamente.

abibliotecaviva.blogspot.pt
16-01-2014

 Nota : Irei postando a sequencia  da  entrevista, logo que oportuno. Bem Hajam.