quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PROVÉRBIOS.

 

PROVÉRBIOS

«ANTES FACE DE COR AMARELA DO QUE VERGONHA NELA»

INTRODUÇÃO

Caros leitores, lembro aqui, o que em tempos disse, em relação a este, provérbio, quando o vi publicado no RO pelo colaborador, Cap.Francisco Cabral, a quem envio um abraço, que, do conjunto publicado, este era o meu favorito.

O facto de o ter escolhido como favorito, pôs-me a pensar, na justificação que deveria dar por ter sido ele o modelo de vida, que aprendi e, em consciência, sempre me acompanhou,  que gostaria de ver, na sua plenitude, adotado pela sociedade em que estou integrado por um lado, ver postagem no meu blogue «Estado de Alma» e , por outro lado,  solidificar os motivos que estiveram subjacentes, no meu subconsciente, ao ter feito tal escolha.

Assim, fui tentar descobrir e não inventar, como disse no meu Blogue, no texto sobre a «abiblioteca viva» onde poderia encontrar algo documentado, com credibilidade reconhecida, para justificar a mim próprio e a quem concordar com o provérbio em análise que, por coerência, a minha escolha foi acertada.

Justificando a  escolha:

Assim , descobri, do Imperador e Filósofo Romano Marco Aurélio, (121-180 DC) , autor considerado insuspeito da obra, uma vez que a escreveu para si próprio, com o título Pensamentos, publicada quase quatorze séculos depois da sua morte, em 1559, na coleção de livros RTP de 1971, o seu pensamento nº 8, a páginas nº 31, do livro III, que reza assim:


«Na inteligência do homem que se mortificou e purificou a fundo não se encontrará nenhuma infeção ou mancha, nenhuma ferida mal curada sob a cicatriz. A vida deste homem quando o destino a ceifa não nos surge inacabada como o papel do ator teatral que se afastasse das tábuas a meio da peça sem chegar ao desfecho. Depois não se lobriga em tal homem nada de servil ou afetado, nenhum apego exagerado às coisas ou exagerado desapego, nada que mereça censura; não pede buraco para se esconder».

O Povo gosta de aprender e, normalmente, segue os exemplos que vai aprendendo com a sociedade em que está inserido. No caso vertente, o autor do texto, em itálico, cita todos os seus Familiares e todos Mestres que teve, «não querendo revelar erudição», com os quais aprendeu todos os ensinamentos que desejaria aplicar ao Povo do seu Império.

Assim, tal como os pais e alunos gostam de ter, na sua escola, bons professores, o Povo quando tem um chefe, como o citado que, para si próprio pensou assim, vai encontrar nele, se lhe forem aplicados estes princípios, motivações fortes para os seguir e assimilar e, se os seguir, com certeza, terá mais probabilidades de viver uma vida melhor, pelo que  julgo que:

A sociedade será mais humana, feliz e socialmente mais justa, quando as pessoas conviverem e se olharem, como irmãos que se amam e, na mesma sociedade, deixarem de existir aqueles seres que, quando se encontram, se evitam uns aos outros, bem como quando, gradualmente, se não conheçam mais pessoas que tentam desviar a face dos seus interlocutores ou que andam à «procura de buracos para se esconder».

Finalizando:

Em relação a provérbios, tenho vindo a escrever que, «o Povo ao qual pertenço», como dizia o saudoso Dr Pedro Homem de Melo, esse mesmo Povo anónimo, diz que « Ninguém sabe tudo! Só todos é que sabem tudo», por isso  queria deixar,  aqui inserta, para meditação,  a  seguinte quadra, a seguir:

A VIDA TEM QUATRO ETAPAS*
ALGUMAS D´ELAS TÊM AMOR!
NELAS?     MORARÁ   A ILUSÃO!
  O  LUTO! ,   TRISTEZA!   E      DOR?
* «Infância, Adolescência, Adulta e  3ª Idade

Diz o mesmo Povo :

«Nunca faças aos outros o que não desejarias que te fizessem a ti» e, para todos aqueles que têm contribuído para o estado de desmotivação e incerteza criada, em especial, naqueles, que do pouco que sabiam, também lhes ensinaram e poderiam continuar a ensinar-lhes alguma coisa, refiro-me aos idosos e pensionistas, para meditação aqui fica, mais um provérbio do mesmo Povo;

«FILHO ÉS E PAI SERÁS COMO FIZERES ASSIM ACHARÁS»

Espero que gostem e comentem.
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26-02-2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

REPOSIÇÂO DA VERDADE E DA HONRA

 REPOSIÇÃO DA  HONRA E DA VERDADE!
Busto de Jacques Chabannes II

INTRODUÇÃO

Quando em 11-01-p.p., publiquei no meu blogue um texto sobre Epitáfios, referi, em relação aos dois últimos versos, num  comentário com algum humor que, brevemente, iria  falar desse grande, Marechal de França, de seu nome, Jacques II de Chabannes-  nascido em Lapalice ou Lapalaisse, em 1470 e que morreu em combate ao serviço do Rei da França Francisco I, na batalha de Pavia em 24 -02 -1525,  travada contra o Imperador da Alemanha Carlos V e Rei de Espanha, em Pavia, Itália.

Túmulo de Jacques II de Chabannes em Avignon

Quando da sua morte os  seus soldados  compuseram-lhe uma canção que rezava assim :
MONSIEUR DE LAPALISSE ÉST MORT,
MORT DEVANT PAVIE,
UN QUART D´HEURE AVANT SA MORT,
IL FAISAIT ENCORE ENVIE.


Traduzindo: Monsieur  de Lapalisse está morto, morto diante de Pavia, um quarto de hora antes da sua morte, ele ainda fazia inveja. Acontece  que  alguém ao alterar na composição do último verso,  Faisait  por Serait e ao separar a palavra Envie  em  En e Vie veio alterar totalmente o sentido  dado pelos autores à canção inicial que passou para  « Il serait encore en vie» logo deixou de fazer inveja , mas passou a Estar Vivo, um quarto de hora antes da sua morte.  E assim nasceu e se universalizou o conceito Lpalissada»  na definição  duma coisa  que, sendo tão evidente,  não merece qualquer  objeção.

À entrada da Vila de Lapalisse, existe, segundo um texto que Vasco Calixto publicou em tempos no CM, um placard onde se pode ler « Bienvenu au País de Véritées» e o nosso Herói natural, conforme disse,  daquela vila, na qual ,os descendentes  da sua família, têm um palácio há mais de 500 anos, os naturais acharam graça e até hoje o  conceito, como chacota generalizou-se.

A situação, ao universalizar-se, fez com   que Lapalisse  seja, considerada hoje, mais um centro de atração turística dos muitos existentes em França , mesmo assim  , mais tarde, ainda tentaram pelos serviços que prestou, anteriormente, a mais dois reis de França, Carlos VIIILuis XII, no Palácio de Versalhes, que fosse foi erguido, em sua memória,  um busto com a sua farda da patente de marechal que lhe foi dada por Francisco I em 07-01-1515, numa tentativa de limparem a sua imagem, da sacanice que lhe fizeram, após a sua morte.

Por pensar que é uma injustiça que têm feito ao longo destes séculos ao nosso Herói pensei ocupar algum tempo livre em pesquisar na minha Biblioteca Viva algo que, em consciência, pudesse vir a esclarecer este assunto, e lembrei-me, de nos meus tempos do Liceu, ter ouvido o meu professor de português falar de filósofos gregos, como Homero (século IX a.C. ), Platão ( 428-347 a.C.  ) e sobretudo, em Marco Aurélio, ( 121  - 180 d.C.) , genial  imperador e filósofo Romano, que só foi criticado, por à semelhança dos seus antecessores,  ter também perseguido os cristãos.




 Então, depois, venho a encontrar na minha Biblioteca Física a sua obra, livro único, com o título «Pensamentos» que escreveu para ele próprio, na coleção RTP, nº 36,   impresso em 1971, com introdução prefácio de João Maia.



  
Marco Aurélio, foi nomeado césar em 139, cônsul em 140 e Imperador Romano a partir de 161.
 O livro tem 157 páginas e é a compilação de 12 canhenhos, por assuntos por ele refletidos que, a cada um, decidiu chamar um Livro, onde os seus pensamentos estão numerados a partir de 1 e só foi publicado, primeira vez, em Zurique em 1559.
 No  Livro II , no pensamento nº 14, a folhas 23, aparece esta pérola que ao  analisá-la em profundidade conclui que tinha encontrado nela  a salvação do nosso Herói, leiamo-la primeiro:
 «Fosse a tua vida três mil anos e  até mesmo dez mil, lembra-te sempre que ninguém perde outra vida que aquela que lhe tocou viver e que só se vive aquela que se perde.
 Assim a mais longa e a mais curta vida se equivalem.
O presente é igual para todos, o que se perde é, por isso mesmo, igual, e o que se perde surge como a perda de um segundo. Com efeito, não é o passado ou o futuro que perdemos;
Como poderia alguém arrebatar-nos o que não temos?
   Por isso toma sentido, a toda a hora, nestas duas coisas: primeiramente, que tudo, desde toda a eternidade, apresenta aspeto idêntico e passa pelos mesmos ciclos, e pouco importa assistir ao mesmo espetáculo em duzentos anos ou em toda a eternidade; depois, que tanto perde o homem que morre carregado de anos como o que conta breves dias, consistindo a perda no momento presente;
Não se pode perder o que se não tem.»
 Ainda, no livro II, folha nº 19, no pensamento nº 4 existe este excerto «Se não aproveitas este momento para ganhares serenidade, o momento passará  tu irás com ele e não terás outra oportunidade ».
Lembro que o autor escreveu os pensamentos no livro para ele mesmo, se não aproveitas Marco Aurélio esta oportunidade……
E eu, também aproveitei, esta oportunidade para dar seguimento ao que havia prometido no início da introdução deste trabalho, pelo que:
Detalhando: 
Após a análise dos textos citados considero que na hipérbole « fosse a tua vida três mil anos….  » há um exagero na ênfase que  o autor quer dar  ao restante conteúdo que compreendo, só que não precisava de apresentar uma desproporção tanto grande entre quaisquer um dos numeradores a utilizar e os 120 anos que o Dr. Almerindo Lessa, disse, ver no meu blogue , que « Fomos programados para viver 120 anos». (Risos)
Depois,  aparecem mais evidências  que catapultam o autor para um  lugar cimeiro ,  nesta matéria , senão vejamos :   «Só se vive aquela que se perde». «Tanto perde o homem que morre carregado de anos como o que conta breves dias, consistindo a perda no momento presente» e «Não se pode perder o que se não  tem».
Assim queria deixar aqui expressa a minha admiração pelo sigilo que foi mantido, desta admirável obra, durante quase quatorze séculos (180-1559) e  um lamento,  profundamente sentido, pelo facto do nosso Herói  não a ter conhecido, para se poder ter defendido da sacanice que lhe fizeram. (Risos).
Sem me alongar, em função do exposto, penso ter encontrado, finalmente, algo mais do que suficiente, para dar a promoção a quem a merece, pelo que proponho: Que, a partir da data desta publicação, a expressão Lapalissada seja substituída, com toda a justiça, por Aurélissada   e que o nosso herói continue em paz no seu túmulo em Avignon. (Risos).
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26-02-2014


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ESTADOS DE ALMA

ESTADO DE ALMA

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INTRODUÇÃO

«On doit écrire que de ce qu´on aime» e julgo que ninguém ficará pensando que gosto de ter vindo a viver o inserto nesta postagem mas, como cidadão livre deste País, tenho a obrigação de, citando a inscrição do Mestre Aquilino Ribeiro, que se encontra no   busto da sua casa museu, em Soutosa, Vila Nova de Paiva, a saber: « De pena na mão, procuro ser original , independente e inteiriço com um bárbaro»,  de alertar não com a pena mas com as ferramentas atualmente disponíveis, para a teia de interesses ou motivos, que devem estar subjacentes ao facto de todos os dias, na nossa imprensa se falar de corrupção, com ramificações à escala mundial e, passados, mais de três anos, conforme imagem inserta no ponto 2 desta narrativa, a legislação não ter sido alterada, visto continuar tudo como dantes, senão vejamos  alguns  factos:

1- Em tempos, um dirigente dum partido político, quando questionado, que o povo estava a sofrer, com convicção, penso eu, disse esta frase lapidar, à entrada para um estúdio de televisão, «O povo tem que sofrer porque os políticos também sofrem». Outro, em plena Assembleia da Republica, disse «Eu gosto de malhar na direita». A propósito, para que não fique esquecida, na altura, 2005-2009, o meu estado de alma, levou-me a compor a quadra-adivinha, a saber:

GOSTA DE MALHAR NA DIREITA,
É INTRIGUISTA CONTUMAZ,
FAZ UMA PARELHA PERFEITA,
COM SÓCRATES E SATANAZ.

     Outro, ainda para me não alongar, faz um gesto a um Deputado da AR «há imagens» e obteve como prémio sair do Governo e ir dar aulas sobre Energias Renováveis para a Universidade de Colúmbia nos USA.
    Assim tem sido, mais ou menos, o comportamento na AR, dos políticos que nos têm governado que, em vez de se unirem todos em torno dos problemas do povo que os elegeu, se vão deliciando com estes tristes espetáculos mas, sem terem a consciência de cada dia que passa, cada vez mais, «basta ver o último número de abstenções e o de votos em branco» se estão a afastar do verdadeiro povo que lhes paga e os elegeu.
   Assim, continuando eu a pensar que a Humildade devia estar presente em toda a gente , em especial, em quem nos  tem governado e, já que para ela  conheço, pelo menos , três definições, a saber:  Shakespeare disse em Troilus and Cressilda « A Humildade é farol do sábio », mais tarde Aurélien Scholl escreveu: « A Humildade é a capa do talento» e a do povo, ao qual pertenço : «A humildade é filha do amor, pois só se é Humilde diante de quem se ama», pergunto?
    Em qual destas definições se enquadrará o inserto nesta introdução? Penso que deveria ser na do Povo que os elegeu, mas, parece-me que eles estão a querer ressuscitar a teoria do despotismo iluminado, dos tempos idos, Século XVIII, do Marquês de Pombal!

2- E agora! perguntam, caros leitores, porquê este estado de alma?
    Ver dois comentários, na altura postados sobre o assunto, sendo um deles do autor deste texto, na imprensa da época «06-11-2010», antes de ser eleito PM, em 21-06-2011:




3-Perante este assunto latente, o que foi feito duma campanha que obteve milhares de assinaturas, num jornal diário, cujos assinantes concordavam e desejavam que a lei viesse a ser aplicada, sem exceção, a todos os cidadãos?

4- Então as novas tecnologias não têm vindo a permitir ao Estado saber quais os rendimentos dos seus cidadãos para efeito de pagamento dos seus impostos e de atribuição ou retirada de apoios sociais?  

5- Será que as mesmas soluções tecnológicas que, concordo, existirem, não deveriam ser aplicadas a todos os cidadãos deste País que enriquecem de uma forma pouco clara, num curto espaço de tempo, sem justificação desses rendimentos?

6 - Li hoje, na comunicação social, a carta de um filho para o pai, de 65 anos, que se viu obrigado a emigrar para o Brasil e, à saída, além de ser insultado no Aeroporto, ainda lhe pediram para deixar cá a reforma de trezentos euros e, na primeira página do Diário de Notícias que, em dois anos, já emigraram oito mil idosos. Que sociedade é esta? (Risos tristes e sentidos! Não é preciso ser um bom ator para exprimir o estado de alma destas famílias! Isto são situações que, ao passarem por «osmose», ficam a viver na alma da gente, destruindo-a!

7- Tenho esperança visto que, sendo esta a última coisa a morrer, que quando a lei for aplicada universalmente, « o exemplo deve vir de cima» o problema da corrupção, quando for minimizado a um pacote de rebuçados para a tosse ou de um saco de sicónios secos (risos para amenizar), todos nós compreenderemos  melhor os sacrifícios  a que temos vindo a ser sujeitos..

7-Para finalizar!

   Mais tarde li, da Revista Focus , na qual o Ex-Bastonário da Ordem dos Advogados Dr António Pires de Lima, pelo que faço, também  dele ,  minhas as suas palavras , disse :

  «Não acredito na sinceridade dos políticos. O exemplo máximo vem da Assembleia da República onde há meia dúzia de pessoas que falam e o resto é claque. Há lá mesmo alguns que estão só à espera do fim do mês para receberem o ordenado».

 Quanto à claque, termino o meu comentário com a quadra seguinte, com humor:



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PRESENTES IGUAIS A AUSENTES?
MAS, FOI O POVO QUE ASSIM QUIS!
 NÓS GOSTAMOS D´ESTAR PRESENTES,
AZAR! !PARA O POVO E P´RO PAÍS!

Faço votos para que todos continuemos a ter esperança em dias melhores, seguindo a lição da perseverança das aves que, quando lhes é destruído o ninho, nunca desanimam na sua nova reconstrução, mesmo que tenham de reconstruir o ninho várias vezes.

Espero que gostem e comentem,
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20-02-2014.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

ATIVIDADES EXTINTAS - MEMÓRIA FUTURA

ATIVIDADES EXTINTAS

«O autor do texto, com o colega Nelson «Filial da Covilhã em 1967»

INTRODUÇÃO

   Ao ter vindo a pensar em atividades que acabaram, na minha biblioteca viva, ainda está viva, desde a última semana de Setembro de 1964, a atividade de operadores de contas-correntes, que era, regra geral, a primeira tarefa, dada pelos gerentes dos balcões, falo do Banco Espírito Santo, quando, ali, alguém ingressava, na atividade bancária, como foi o meu caso.
   A tarefa consistia em lançar nas contas dos clientes todos os lançamentos inerentes à sua movimentação «cheques, depósitos em numerário e cheques, descontos, transferências, pagamentos vários, cambiais, etc.», sendo estes movimentos feitos inicialmente à mão à medida que iam surgindo na mesa de trabalho do operador, chamada primeira posição, sobre um cartão e, depois, no fim do dia, enviados acompanhados duma tira relação onde constava o número da conta, com o saldo final de cada cliente, movimentada nesse dia para, no dia seguinte, outro operador repetir os mesmos movimentos, na chamada segunda posição, tendo como objetivo fazer a verificação de eventuais, trocas de lançamentos ou divergências nos saldos finais que lhe foram enviados. Quando cada cartão ficasse cheio, uma vez que tinham uma «folha» com o descritivo igual ao cartão da primeira posição, vulgo extrato da conta, agrafada com um químico, esta era retirada e enviada, via postal, para o cliente. Com a centralização, como à frente veremos, os extratos passaram a ser enviados centralmente.
   Havia balcões do Banco, de maior dimensão onde estas tarefas se encontravam já mecanizadas. Isto passava-se nas décadas de sessenta e setenta! A carga de trabalho era tal que existiam em alguns balcões, operadores a trabalhar por turnos para dar seguimento à quantidade de movimentos que diariamente tinham que lançar nas contas dos clientes.
   A criação do Centro Mecanográfico em 1970, e a decisão dos Gestores do Banco, em começar a aliviar os balcões, numa primeira fase, das cargas administrativas mais pesadas e onerosas, todos os balcões do Banco, foram equipados com novas máquinas de contas-correntes que passaram a dar um suporte em fita perfurada, que era enviada, diariamente, para o Centro Mecanográfico acompanhada dos respetivos panos de fundo de cada operador, bem como ainda dum documento onde vinha indicado o total dos movimentos a débito e a crédito e o respetivo saldo total do balcão e, ao passar ser feito o controlo nos serviços centrais, de imediato, foram libertas todas estas tarefas aos operadores das segundas posições existentes nos balcões, onde a nova mecanização ia sendo implementada.
    Nesta primeira fase, tive a oportunidade de acompanhar a mudança, na quase totalidade dos balcões do Banco, como formador dos operadores bem como na necessária adaptação dos colaboradores dos balcões aos novos circuitos a implementar. A imagem do início do texto, foi tirada pelo Gerente do Balcão- Snr Oliveira, já falecido, em 1967 –, quando eu tinha, apenas, três anos de atividade, como bancário.
     O passo seguinte deu-se, em 09-11-80, com a inauguração da Sede do Banco, na Avenida da Liberdade.
    Para dar continuidade e melhorar qualidade dos serviços prestados aos clientes do Banco, foi decidido pelos Gestores do Banco que, no balcão da Sede, na sua inauguração, deveria ser instalado o teleprocessamento, como veio a acontecer na data citada no período anterior.
   Existiram alguns problemas que, sendo expectáveis, nestas grandes mudanças, diz-se que o pioneirismo, como foi o caso, também tem um preço, mas nada impediu que a tarefa fosse concluída conforme havia sido planeada, tal foi a dedicação e o entusiasmo que todos, e não foram poucos, sem exceção, colocaram até à sua estabilização para, a partir daí, arrancar, como aconteceu, em velocidade de cruzeiro para aos restantes balcões do Banco.
   Lembro e quero aqui perpetuar a memória, com um inédito escrito, nessa época por um colaborador do Banco, Snr Rui Soares, já falecido, que com humor ,após a tempestade já passada e as transações deixarem de entrar no largo «cano»,  já numa bela manhã de Janeiro de 1981, me ter entregue o manuscrito que guardo como recordação,  dos momentos vividos mas, então, já ultrapassados, com outros colaboradores envolvidos naquela epopeia: Digo, por também, a ter vivido, que valeu a pena!

TELESIADAS
I
VI, CLARMENTE VISTO O TELE VIVO,
QUE BANCÁRIOS GENTE JULGAM SER SANTO!
EM TEMPO DE TRABALHO, MAS SEMPRE ESQUIVO.
DE TEMPESTADE ESCURA, MAS UM ENCANTO!
NÃO MENOS PARA TODOS, FOI EXCESSIVO,
 MILAGRE, COUSA CERTA, DE ALGO ESPANTO,
VER TODAS AS TRANSAÇÕES, EM LARGO «CANO»
QUE MAIS NÃO É A SORTE TRISTE DO LUSITANO!
II
QUANDO CHEGAVA O TELE ÀQUELA PARTE,
ONDE A ESPERANÇA NOSSA JÁ SE VIA (…)
DE ARTE EMBANDEIRADO E CHEIO D´ARTE,
PENSAVA BEM AJUDAR O SANTO DIA!
A LINHA TREME E FAZ «BOOT» ATÉ EM MARTE (?),
E NOS ECRANS A LUZ VERDE APARECIA;
PRÓ SISTEMA UMA ÚNICA SOLUÇÃO!
ANTES AS MÁQUINAS DE PRIMEIRA POSIÇÃO!
RUIS. JANº/81

   Do mesmo autor, aqui fica outro inédito, que guardo o original, do aproveitamento, com humor e alguma arte! dos escantilhões que na época apareceram para dar apoio aos técnicos nas áreas da informática e organização na feitura dos diagramas dos programas, circuitos/administrativos e de impressos que se vieram, depois dos anos 70, a implementar em toda a atividade do Banco. Lá aparece o «cano», cuja memória lhe ficou, pelo menos até Dezº de1984, data deste inédito.


   Para todos aqueles colaboradores do Banco que acompanharam esta mudança, quero deixar aqui esta memória e, para os atuais, gostaria que se lembrassem sempre do contributo que os atuais aposentados deram à construção da imagem que tem hoje e, sempre teve, o Banco Espirito Santo.
   Um Bem-Haja para todos! Espero que gostem, meditem e comentem.
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17-02-2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

É FEIO CHAMAR VELHO A UM VELHO?

É FEIO CHAMAR VELHO A UM VELHO?

À PERGUNTA, RESPONDEU:


Dr  Almerindo  Lessa

Imagem digitalizada da entrevista, por si,  dada à Revista Público Magazine nº 181 de 22-08-1993.

É, devido à carga depreciativa que a palavra tem. Será melhor chamar-lhe idoso. Os brasileiros resolveram bem o problema dando ao termo velho uma envolvência afetiva, cúmplice: «Como vai meu velho?». Os árabes não têm sequer a palavra velho, têm a palavra antigo. Nós depreciamos os idosos, porque estamos num continente deles, Portugal já faz parte do chamado clube dos velhos, país com cerca de 14% da população acima dos 65 anos. (Lembro que isto foi dito em 1993).

ISTO PODIA SER-LHES UM FATOR DE RIQUEZA?

Podia, se o encarássemos de outra maneira, como fazem os chineses, os indianos, os africanos, e de certo modo, os franceses. Dos Europeus, são os franceses que revelam uma postura diferente, mais humanista, em grande parte devido ao Maio de 1968.
Maio de 68, foi a mais inovadora revolução, no sentido lato, que houve no Ocidente neste século. Só não provocou uma rutura total nas estruturas sociais porque o Partido Comunista Francês não quis. Teve medo.
Os sindicatos, dominados por ele, não deixaram os operários juntar-se aos estudantes. As manifestações eram tão espontâneas, tão puras «eu acompanhei-as» que nem o Estado nem o PCF as perceberam.
De Gaulle, só admitiu que os jovens podiam ter razão quando, mais tarde, Edgar Faure, lhe revelou que havia, por exemplo, falta de quatro mil professores. Tinham sido reformados.

E ONDE ESTÃO? 

Perguntou-lhe ele? Ora andam por aí, atrás das garotas, a dirigir empresas, a passear, a ir ao cinema, menos a trabalhar porque a lei não lho permite.
 Então, De Gaulle disse-lhe: senhor ministro, isso é uma imbecilidade social.
 Faça o favor de reunir um grupo de peritos em imbecilidade social e resolva o problema. Eu fui um dos escolhidos, éramos 100.
É o título mais curioso que tenho: especialista em imbecilidade social!  Uma das secções desse grupo reuniu-se em Lisboa, na Universidade Técnica, onde elaborou o Estatuto da Associação Permanente de Gerontologia Social, que fez o projeto para o reaproveitamento das pessoas idosas.

E ISSO FOI POSTO EM PRÁTICA?

Sim, daí a França ser, como disse, um País avançado em questões sociais. Foi numa das nossas reuniões que surgiu a expressão «terceira idade», criada por Jean Huet, para designar os maiores de 65 anos. Nessa fase, uma pessoa ativa estava, então, gasta, cansada fisicamente. Hoje envelhece-se mais devagar, a terceira idade principia aos 75 anos, ganhámos uma década. Daí que a altura da reforma devesse ser escolhida por cada um de acordo com as suas conveniências: ou adiava-as e continuava a trabalhar, em tempo inteiro, em «parte time», ou ia para casa fazer outra coisa. No setor privado, há de novo idosos em atividade, grande parte dos professores das cinco universidades particulares de Lisboa são reformados da Função Pública e por saneamentos a seguir ao 25 de Abril.

O 25 DE ABRIL TEVE ALGUMA COISA DE PARECIDO COM O MAIO DE 68?

Não, porque os objetivos eram outros. Foi uma revolução corporativa, primeiro, e política depois. Os partidos e os militares depressa o disciplinaram … O maio de 68 foi uma revolução feita por jovens, fisicamente, mas pensada por velhos intelectualmente, como Marcuse, o Sartre.

QUEM ENVELHECE MENOS?

É quem trabalha com o cérebro. Os intelectuais envelhecem menos que os operários. A morte é, aliás, determinada pela paragem do cérebro, não do coração.

Espero que gostem ,

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11-02-2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

REGIONALISMOS - ALTA CIRURGIA!

ALTA CIRURGIA

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«O barbeiro veio ante o Rola, excogitou-lhe* a língua e as fontes da cabeça, ouviu-lhe o roncadoiro*1 e, tartamudo,*2 zambro*3 de todo, disse que o doente estava de mau parecer e era mister aliviar-lhe já os humores com uma sangria.
---- Mas, ó mestre, estará você na sua sina para lancetar? – Objetou-lhe o Rola velho, estendendo-lhe o pescoço na jeiteira, que tinha, de grou ao dar bicada.
O barbeiro aprumou-se, torcendo a beiçola:
---- Até para lhe fazer uma utópsia a vossemecê, homem, e deixá-lo direito.
Decidida a operação, foram por uma toalha e um covilhete*4 para apanhar o sarrabulho, enquanto na sola da mão o curandeiro assentava a lanceta.
---- Intese para cá o braço--- disse ele; e, zás, com um lanho fez saltar um repuxo de sangue que nem de pipa espichada.
Deitou, deitou, e sentenciava o barbeiro;
Sempre trazia o sangue muito envenenado! Apre, negro que nem um chapéu!
---- Parece bem vermelhinho! --- exclamou Florinda.
---- A esguichar. Aqui é que se vê!--- retorquiu o mestre, fazendo dançar o sangue na malga.
De boca muito aberta, olhinhos de furão, o Rola velho seguia, interessado, todos os passos da cirurgia.
---- Quem sabe, sabe!--- proferia de pasmo.
Mas era tempo de vedar ao verde; não apareciam ligaduras e a pata do Rola continuava escorrendo, ainda que mais manso, como gorgulha de fontainha.
---- Traga-me um lençol.---- Rasguem umas tiras.
---- Ai não! é um lençol novo de estopa!
Envolveram-lhe o braço com o lençol todo; o barbeiro bem limpou, bem arreatou, dali a um nadinha a chumaceira estava empapada de sangue.
---- Aí se escoa o desinfeliz!*5 --- gritava Florinda.
---- Agora, ainda tem muito para botar! --- declarou o barbeiro.
---- Arranjem-me açúcar e teias de aranha.
Despediram cada um para sua banda; na casa de fora, Florinda bramou para a mãe:
---- Oh! Descansada entre você ainda hoje no inferno, para morcega! Vê a gente aflita e não se mexe. Corra à loja buscar teias de aranha.

Teias de Aranha
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Ela pulou ao Cláudio comprar açúcar, que não havia uma pitada de portas adentro. Quando voltou, o seu homem estava amarelo como a cera melada. E, vendo a cama numa alagoa de sangue, as mãos do barbeiro a escorrer sangue, desatou a berrar:
---- Ai que me matou o meu homem! À d’el-rei que me matou o homem! __Cala-te, mulher, cala-te! --- proferiu o sogro--- o mestre não é tão azémola*6, como isso.
O barbeiro pegou do açúcar, chapou-lho no talho, depois, com as teias de aranha enredou, enredou bem de cima, bem de baixo e, cobrindo com uns panos, disse:
---- Agora deixem o doente!---- Já não é sem tempo! --- murmurou  Leocádia Rola.
---- Hum, tomara eu tanto vinho a cada comer como de sangue tem no fole.
O Maneto rebolava no travesseiro um olho muito doce e amadornado. Nem de um borrego, coitadinho! Parecia que a cada momento ia render os espíritos.
---- Daqui a uma semana, está guicho!*7-- declarou o barbeiro, ao lavar no patim as mãos e a lanceta.---- Fiquem-se com a graça de Deus. Volto à primeira alerta.
E o grande flibusteiro*8 meteu para a taberna a beberricar.»

Fonte : Do grande Mestre Aquilino Ribeiro , texto do seu livro «Terras do Demo». Na sua casa Museu, em Soutosa, Vila Nova de Paiva, no busto que se encontra no pátio da mesma, pode-se ler: « De pena na mão, procuro ser original ,independente e inteiriço como um bárbaro.»

Espero  que gostem, comentem e partilhem o conteúdo  dos regionalismos insertos no texto que continuam a ser um património a não perder e, por isso, tal como grande Mestre Aquilino fez na sua obra citada, aqui o deixo também. Acrescento ,também, que eles são conhecidos de uma grande parte de Portugueses que nos anos cinquenta emigraram  da região, do autor da obra citada , para o Brasil.  

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05-02-2014

Legendas: * Excogitar ; Observar com atenção ; *1 Roncadoiro; Garganta*2, Tartamudo ; Disfémico, Tardiluquo,  tartamudo, gago, por ordem decrescente,de termos eruditos; *3 Zambro; que caminha com as pernas em arco, curvadas; *4 Covilhete , taça de alumínio onde eram servidos os pequenos almoços, em especial, às crianças.*5 Desinfeliz ? Ora o prefixo des equivale a uma negação, será que o Rola estava feliz ?; *6 Azémola, ainda  não é tão Burro!; *7 - Guicho , fica bom, otimo! *8 Flibusteiro ,  intrujão.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

CONFISSÃO!

CONFISSÃO!

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TEMPO

QUEM O TEM? NUNCA TEM TEMPO!
P´RA FAZER O QUE DEVIA FAZER,
POIS! ANDA ENTRETIDO A ESCREVER,
VIVÊNCIAS! COMO PASSATEMPO.

E, ASSIM, VAI PASSANDO O TEMPO!
NA ESPERANÇA DE DIAS MELHORES,
ESCONDENDO, POIS, DIAS PIORES,
DESTA SUA VIDA, JÁ SEM TEMPO!

ENTÃO! VAI CAMINHANDO SOZINHO,
PARA ENCONTRAR O SEU CAMINHO,
P´LA ESTRADA QUE PENSOU SEGUIR.

AVANÇA! SEM VONTADE DE PARAR,
JÁ QUE AINDA QUER DESCORTINAR,
UM RUMO DIFERENTE! PARA SORRIR.

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08-02-2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

AMIZADE! TANTAS VARIEDADE HÁ NELA!

AMIZADES!


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«AMIZADE! TANTAS VERDADES HÁ NELA

«Amizade no trabalho. Amizade na atividade revolucionária, amizade na longa caminhada, amizade entre os soldados, amizade na prisão de trânsito onde apenas medeiam dois ou entre o encontro e a despedida, mas a memória desses dias fica guardada na memória por longos anos. Amizade na felicidade amizade na desgraça. Amizade na igualdade e na desigualdade.
Em que consiste a amizade? Estará sua essência apenas no trabalho e no destino comuns? É que, por vezes, o ódio entre membros do mesmo partido, cujas convicções diferem apenas em pormenores, é maior do que o ódio que essas pessoas têm aos inimigos do partido. Por vezes, homens que vão combater juntos odeiam-se mais do que odeiam o inimigo comum. Às vezes, o ódio entre presos é maior do que o ódio desses presos para com os seus carcereiros.
É óbvio que encontramos amigos sobretudo entre pessoas com um destino comum, com a mesma profissão, com desígnios comuns, mas seria precipitado deduzirmos daqui que ter coisas em comum determina a amizade. Isto que também pode haver amizade motivada pela repugnância da profissão comum. É que nem sempre os heróis da guerra e do trabalho são amigos, mas também desertores da guerra e do trabalho. No entanto, ter coisas em comum está na base das amizades, tanto desta como daquela.
Poderão ser amigos dois carateres opostos? Claro que sim!
Ás vezes, a amizade é uma ligação desinteressada.
Outras vezes,  a amizade é egoísta, outras ainda é guiada pelo espírito de sacrifício, mas é espantoso que o egoísmo da amizade aja desinteressadamente em benefício do amigo, enquanto o autossacrifício da amizade é, no fundo, egoísta.
A amizade é um espelho em que a pessoa se vê a si própria. Às vezes reconhecemo-nos conversando com um amigo: estamos a conversar, a comunicar nós próprios.
Amizade é igualdade e parecença. Ao mesmo tempo, a amizade é desigualdade e diferença.
Existe uma amizade prática, ativa, a do trabalho em conjunto, a da luta conjunta pela vida, pela fatia do pão.
Existe uma amizade baseada num ideal sublime, uma amizade filosófica de interlocutores-contempladores, uma amizade de pessoas que têm trabalhos diferentes, separados, mas refletem juntos sobre a vida.
É possível que uma amizade superior una a amizade ativa, a do trabalho da luta, com a amizade da interlocução.
Os amigos sempre precisam uns dos outros, mas nem sempre obtêm quotas iguais de amizade. Nem sempre os amigos esperam da amizade a mesma coisa. Um amigo oferece a sua experiência, outro amigo enriquece-se com essa experiência. Um a pessoa ajudando um amigo jovem e inexperiente, fica a conhecer a sua própria força e maturidade. Assim, na amizade, um amigo oferece prendas, outro amigo fica contente com as prendas.
Acontece às vezes que o amigo é como uma instância tática, com a ajuda dele a pessoa comunica consigo própria, encontra alegria em si própria, nos seus pensamentos que soam nítidos e visíveis graças ao reflexo na caixa-de-ressonância que é a alma do amigo.
A amizade entre intelectos, contemplativa, filosófica, exige normalmente a unidade de convicções, mas esta identidade não é obrigatoriamente total. Por vezes a amizade manifesta-se na discussão, nas diferenças entre amigos.
 Se os amigos são parecidos em tudo se se, refletem mutuamente a discussão com o amigo é a discussão consigo próprio.
É o amigo que justifica as nossas fraquezas, defeitos e até vícios, quem afirma a nossa justiça, o nosso talento, os nossos méritos.
 É o amigo quem, gostando de nós, desmascara as nossas fraquezas, os nossos defeitos e vícios.
 Então, a amizade baseia-se na semelhança, mas manifesta-se na diferença em contradições. Então, na amizade a pessoa respira de modo egoísta a receber do amigo aquilo que ela própria não tem. Então, na amizade, a pessoa deseja entregar generosamente o que possui.

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A aspiração à amizade é própria da natureza humana, e quem não sabe  ter amizade com as pessoas procura-a entre os animais; cães, cavalos, gatos, ratos, aranhas.
Só não necessita de amizade uma criatura forte, dotada da força absoluta. Certamente que tal criatura só poderia ser Deus.
Uma verdadeira amizade não depende do facto do amigo estar no trono, ou destronado, de estar na prisão; uma verdadeira amizade está virada para as qualidades interiores da alma e é indiferente à fama, à força exterior.
 As formas de amizade são variadas, o seu conteúdo é multifacetado, mas existe uma base inabalável de amizade: a fé na fidelidade do amigo e a fidelidade ao amigo. Por isso, a amizade é especialmente bela onde o homem serve o sábado*. Onde o amigo e a amizade são sacrificados em nome dos interesses superiores, lá onde o homem declarado inimigo do ideal superior, perdendo todos os seus amigos, acredita que não vai perder um único amigo.»

* «O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado». S. Marcos 2.27 (Nota dos T.)
Fonte: Do livro « Vida e Destino » de Vassili Grossman, páginas 361 a 363.
Espero que gostem e meditem!
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06-02-2014