segunda-feira, 28 de abril de 2014

POUCO ACIMA DAQUELA ALVÍSSIMA COLUNA

POUCO ACIMA DAQUELA ALVÍSSIMA COLUNA !

«Polímnia, a musa da poesia lírica (estátua romana do séc. II, mármore, Museu Pio-Clementino, Vaticano»

POESIA

POUCO ACIMA DAQUELA ALVÍSSIMA COLUNA
QUE É O SEU PESCOÇO, A BOCA É-LHE UMA TAÇA TAL
QUE, VENDO-A OU VENDO-A, SEM QUE, NA REALIDADE, A VER,
DE BEIJOS --- UNS, SUBTIS, EM DIÁFANO CRISTAL
LAPIDADOS NA OFICINA DO SEU SER;
OUTROS --- HÓSTIAS IDEAIS DOS MEUS ANSEIOS,
E TODOS CHEIOS, TODOS CHEIOS
DO MEU INFINITO AMOR…
TAÇA
QUE ENCERRA
POR
SUA SUMA GRAÇA
TUDO O QUE A TERRA
DE BOM
PRODUZ!
BOCA!
O DOM
POSSUIS DE PORES
LOUCA
A MINHA BOCA!
TAÇA
DE ASTROS E FLORES,
NA QUAL
ESVOAÇA
MEU IDEAL!
TAÇA CUJA EMBRIAGUEZ
NA VIA LÁCTEA DO SONHO AO CÉU CONDUZ!
QUE ME ENLOUQUEÇAS MAIS … E, A MAIS E MAIS ME DÊS
O TEU DELÍRIO… A TUA CHAMA … A TUA LUZ …

Fonte: Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (1888-1915). Livros RTP, Antologia da Poesia Brasileira, página nº 95.

Espero que gostem...

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28-04-2014

sábado, 19 de abril de 2014

ORIGEM DE SANTARÉM

ORIGEM DE SANTARÉM

Ulisses

 Estava  eu   pensando no 25 de Abril de 1974, quando, na altura estava a prestar serviço no BES e  estava hospedado no Hotel Abidis, em Santarém  o que  a história dizia , em relação a este nome «Abidis» e á cidade,  pelo que fui consultar   a  Wikipédia Livre , via Google  e, ao fazê-lo, lá me deparei com esta pérola:

 « Abidis é uma divindade da mitologia dos celtiberos* e o nome de um rei mitológico relacionado com a cidade portuguesa de Santarém.

Durante a sua Odisseia, Ulisses de Ítaca teria passado por terras Lusitanas, onde se apaixonou por Calipso, filha do celtibero Gorgoris, rei dos Cunetas*1 . Dessa relação teria nascido Abidis, que o avô teria mandado abandonar e, sendo colocado numa cesta, foi atirado ao rio Tejo.

A cesta subiu o rio contra a corrente e foi recolhida por uma loba ou uma cerva na praia de Santarém, que alimentou e protegeu o príncipe Abidis. Após algumas peripécias, Abidis  acabou por ser reconhecido pela mãe Calipso, que o tornou o legítimo herdeiro do trono, e escolhendo o sítio de Santarém para capital do reino, ao qual deu o nome de Esca Abidis (o manjar de Abidis), que teria derivado em linguagem corrente para Scalabis.

No tempo do domínio romano, Santarém teve o nome de Scalabicastrum, e essa origem permanece na designação dos habitantes, conhecidos por Escalabitanos.»


Santarém

Esta narrativa  vem a propósito de, na noite de 24 para  25 de Abril de 1974 quando o Capitão Salgueiro Maia  se deslocava para o Largo do Carmo  com os seus tanques e tropas, dando início à Revolução dos Cravos, de eu estar hospedado no Hotel Abidis  e , de manhã, após ter tomado o pequeno almoço, muito embora  tivesse sido apelado na rádio para as pessoas   permanecerem em casa, desloquei-me para Sintra no meu carocha, que ainda hoje está na minha na minha garagem, perdão dele,  em estado de concurso, coberto com um resguardo de plástico por causa do pó ( Risos).



Durante a deslocação ouvi na rádio que os soldados, com os cravos nas espingardas, bem como os tanques comandados pelo Capitão Salgueiro Maia, já se encontravam no Largo do Carmo, em Lisboa, tendo ficado com a impressão que todas as viaturas tinham ficado estacionadas na garagens.

As  estradas  estavam completamente  livres,  quase  não  vi  nenhuma viatura  no caminho até chegar a casa, deveriam ser dez horas da manhã e, quanto a pessoas! Não se via viva alma na rua.

O ruído do tráfego citadino e das pessoas tinha desaparecido! E, todo aquele silêncio, associado ao ambiente bucólico da viagem, rodopiava nos meus sentidos que, ainda hoje, não consigo descrever por palavras o que na altura senti. Foi emocionante. Depois, a alegria reconfortante que senti ao chegar a casa e encontrar a minha esposa e filha bem mas senti que,  naturalmente ,  estavam apreensivas.

As pessoas que, depois iam saindo à rua, via-se nelas uma alegria enorme e contagiante nos seus rostos . Depois, lembro-me, porque participámos eu e a minha família, no primeiro 1º de Maio de 1974 da multidão humana que subiu a Alameda Afonso Henriques, em direção ao Estádio 1º de Maio, em que todos se abraçavam, festejando em conjunto a «Liberdade.» Mas depois, ao aparecerem os partidos essa união foi-se desagregando e hoje, infelizmente, chegámos à situação de desânimo em que a maioria do Povo se encontra.

Primeiro 1º de Maio 1974.

Não foi com esta intenção que os Heróicos Capitães de Abril fizeram a revolução, o próprio Capitão Salgueiro Maia, numa fase da sua vida, apercebeu-se e deixou esta mensagem lapidar:

« Não se preocupem com o local onde sepultar o meu corpo, preocupem-se com aqueles que querem sepultar o que ajudei a  construir».

Cito o pensamento de Marco Aurélio, filósofo e Imperador Romano, 121-180 d.C., só publicado em Zurique, em 1559
 ,
«Depressa te esquecerás de tudo; depressa todos te esquecerão».

Em relação ao Capitão Salgueiro Maia, a primeira mensagem já aconteceu, Paz à sua ama, e a segunda, infelizmente está a acontecer. Em relação ao Povo hoje tem mais Liberdade, mas vê-se já  a fome a alastrar  e a tristeza estampada nos seus rostos, principalmente na juventude que vê sem futuro  e nos reformados e pensionistas que ajudaram a edificar este País, vêem-se, também,  agora tratados como objetos descartáveis e sem confiança no futuro para a sua velhice para a qual tanto trabalharam. Ver minhas postagens  sobre : «Sobrevivência» e Fontes de Sobrevivência, publicadas no meu Blogue.

Termino com uma parábola verdadeira  para reflexão : «Em qualquer pomar, a   fruta só provém dos ramos velhos, os ramos novos, só mais tarde, após serem  podados,  é  que adquirem a maturidade suficiente para dar o seu contributo no pomar mas, como não há regra sem «senão», lá aparecem os kiwis, originários da China e dos seus climas «frios» que só dão frutos nos ramos novos!» Pois estes frutinhos, de cor castanha amarelada, até  estão protegidos com um pêlo que, se os insetos  os procurarem, são logo repelidos, por isso, o dono do pomar não precisa de os curar,  porque vivem num mundo à   parte dentro do seu  pomar!

 Vá lá a gente perceber os homens e  a natureza !

* Nunca tinha ouvido falar de mitologia do tempo dos Celtiberos; *1 nem que tivesse existido um reino com este nome, mas, para mim, gostei de efetuar  a pesquisa que agora se publica.

Espero, caros leitores, que  também gostem e comentem.
Mais uma vez, um Bem-Haja e uma Santa Páscoa para todos.

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19-04-2014



quinta-feira, 17 de abril de 2014

UMA PAIXÃO NA NEVE

UMA PAIXÃO NA NEVE.



Manhã  gelada  e triste! Na serra    nevava,
E, o gado  dos pastores, com fome  pastava.
Ali ,   a  pastora  encontrou      o seu amado!
Corre para   ele!           Que  momento belo!
Beijam-se! Das pestanas cai-lhes o  sincelo,
 E, naquele           momento,  tão apaixonado,
  Ambos  vão procurar um  lugar  mais     abrigado,
  Do  vento  e   da    chuva  que     começava a cair.

      Silêncio   absoluto!      Do horizonte!    Nem a brisa    se fazia ouvir!
      Abraçaram-se!       Fazendo   ambos       juras  de   amor          eterno,
        Convencidos que,     por aquela paixão, nunca chegariam ao inferno.

Os animais! Sabendo o caminho,
Aos seus  currais    regressaram,
Mas, os pastores lá continuaram,
No  ninho, como   um passarinho!
Vivendo aquele momento   louco,

Que, quando hoje se recordam, ainda lhes sabe a pouco!

Espero que gostem e comentem:

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17-04-2014





quarta-feira, 16 de abril de 2014

AS FONTES DE SOBREVIVÊNCIA

AS FONTES DA SOBREVIVÊNCIA
«Toda  a Terra manava leite e mel, mas foi abandonada pelo Homem»
Feitura dos regos para colocar as sementes

A SEMENTEIRA DE UMA DAS FONTES DA SOBREVIVÊNCIA «O MILHO!»

Conforme descrito na minha publicação anterior com o título «Sobrevivência», à Terra que tudo manava, o sábio povo agradecia-Lhe, cantando-lhe as quadras seguintes que adaptei ao texto :

EU SEI QUE ESTOU DEVEDOR À TERRA!
MAS SINTO QUE ELA, ME ESTÁ DEVENDO!
ASSIM! A TERRA QUE ME PAGUE EM VIDA!
PROMETO! QUE LHE PAGAREI EM MORRENDO.
II
          EU SEI QUE VOU MORRER UM DIA!
         NUMA HORA! NÃO SEI QUANDO!
           TERRA! QUE ME HÁ-DES COMER!
          JÁ TE PODES IR PREPARANDO.

 mas, ao tirar-lhe também um pouco da sua vida, daí «Me está devendo» ao ficar pronta para receber as sementes de: milho, feijão que era consumido primeiro, em verde e, depois, quando seco, e ainda as abóboras utilizadas na alimentação humana e dos animais, está sempre pronta a pagar a generosidade com que é tratada por estas maravilhosas gentes, pena é que tenha sido abandonada.

1- SEMENTEIRA DO MLHO

   A tarefa da sementeira começava, quase sempre, depois da merenda e consistia no destorroamento da terra, deixando a mesma plana, fazer os regos, conforme imagem acima, à enxada, e colocação das sementes citadas, tarefa esta, também, que era adstrita às mulheres.
   A terra, no fim de nela serem colocadas as sementes nos regos, voltava novamente a ser arrasada, manualmente, para tapar as sementes. Às vezes lá era chamado o burro, que tinha passado o dia todo a descansar à sombra, (risos) cada família tinha um, para com uma grade de madeira, que com pedras em cima, fazia a pressão necessária sobre a terra de modo a que esta ficasse completamente lisa.
   Então era dada, nesta fase, o intervalo para que as sementes nascessem, mais ou menos dez dias para, a partir daí, começar novamente a dedicação destas gentes à sua fonte de subsistência « Os seus pedacinhos de Terra.»

 Colocação das sementes na terra

2- SACHA  E REGA DO MILHO

  Logo que o milho atingisse o tamanho das imagens abaixo lá começava a faina da monda, respetiva sacha bem como a necessidade de entancar a terra para a rega que era feita semanalmente, de acordo com o calendário que todos os proprietários usavam desde tempos de antanho, a partir de Junho até Agosto. Na tarefa de entancar a terra era utilizada a caruma dos pinheiros nas zonas com maior inclinação para evitar que os tanques da água se derronchassem. Esta atividade era feita, normalmente, por mulheres, na imagem abaixo, do nosso homem a regar, apreende-se que ele não aprendeu na zona a que se refere este texto (Risos), que com sachos,  e que não podiam praticamente aliviar as costas visto que ,a água que as acompanhava nos regos que iam abrindo, não podia ser desperdiçada. Eram autênticas maratonistas na arte da rega manual.


Sacha do milho
Rega do Milho

3- DESPONTAR E DESFOLHAR

   Durante o mês de Setembro lá vinha a necessidade de despontar o milho, colocar as pontas a secar ao sol bem como os novelos da folha que era retirada dos caules do milho. E, aqui, aparecia uma nova fonte de preocupações relacionadas com o tempo, havia trovoadas com alguma frequência, que obrigavam estas gentes, fosse de dia ou, quando de noite, a levantarem-se para ir atar a palha e trazê-la para o palheiro, também, aqui, cada família tinha um. A palha era a base da alimentação dos burros e das ovelhas e cabras nos dias em que não podiam ir para o pasto.


Burro Carroça e o fiel amigo.

   Como disse, anteriormente, cada casa tinha um burro que, além de trazer com a carroça a lenha para o forno que servia para cada família cozer, semanalmente, o pão de milho, tirava água nas noras dos poços das propriedades, de alguns poços, a água era tirada pelos homens utilizando «gaivotas ou picotas» conforme imagens abaixo, transportava, também, o mato das encostas que depois levava para as hortas, já na versão estrume que ele, as cabras, as ovelhas, os suínos, cada família matava um por ano na época do Natal, e outro animais ajudaram a fazer, o qual era acumulado num monte que era feito durante o ano, para a época das sementeiras que se iniciavam com a  primeira plantação da batata, no princípio da Primavera de cada ano. 
  As noras foram retiradas para decoração ou vendidas para a sucata e os poços ou foram entulhados com o suor dos homens que os abriram ou foram sepultados em campas rasas feita de betão. As gaivotas ou Picotas o tempo encarregou-se de não deixar delas quaisquer vestígios para a posterioridade. Eram bem perigosas, porque de vez em quando, lá ia o nosso homem agarrado à vara para o fundo do poço.

Nora
Gaivota ou picota
4- APANHA DO MILHO  E RETIRADA DAS MAÇAROCAS.

   A partir da última semana de Setembro, primeira semana de Outubro as espigas de milho eram retiradas dos caules  para a casa da eira, cada família tinha uma onde,  de  dia ou aos serões, a tarefa de separar as maçarocas do milho das capuchas era feita com o auxílio das outras famílias que entre si colaboravam, ver imagem seguinte:

Descamisando o milho « tirar a capucha».

 5- SECAGEM DO MILHO NAS EIRAS

   Depois, seguia-se a colocação diária de por as maçarocas a secar para facilitar a debulha, normalmente manual, do milho que voltava novamente a ser estendido ao sol em panos ou mantas até poder ser erguido para o limpar das impurezas antes de ser guardado nas arcas. As maçarocas ou milho durante a secagem, todos os dias, era guardado à noite no interior casa da eira para voltar a ser posto a secar no dia seguinte logo pela manhã. Quando chovia! Deixo à vossa consideração este assunto, caros leitores. Este Povo, neste caso as mulheres, durante dias não paravam! Hoje, à distância, admiro-me como é que estas heroínas, não ficavam zonzas de tanto praticarem o «Rapa, tira, deixa e põe» e volta a tirar e volta a pôr  e, por vezes, quando começava a chover lá tinham que continuar com esta rotina até ao verão de S. Martinho que se venera a 11 de Novembro.

Milho debulhado à mão com um pau.

6-  IDA DO GRÃO DE MILHO PARA O MOINHO

   Depois, semanalmente, lá vinha o moleiro «sempre vestido de branco» (risos) de porta em porta a recolher o cereal para moer em farinha/entregar a farinha nos sacos do milho e do trigo /centeio, daqueles que o tinham, para depois as famílias misturarem um pouco desta mistura na massa do milho, que sempre ficava um pouco mais apelativo ao sabor e aguçava mais o apetite. Daí o dizer-se «Coma comadre que é de mistura». ( Risos ).

Moinho movido com a água da ribeira
 Moleiro que por vezes trazia a carga na  carroça.

7- PENEIRAR A FARINHA PARA EXTRAIR O FARELO

   A farinha de milho era peneirada antes de ser amassada, para separar o farelo que era misturado na comida dos suínos, numa masseira de madeira ou alguidar conforme as imagens abaixo. O fermento utilizado para levedar era guardado de uma semana para a outra com o resto da massa que ficava na masseira.
Peneirando a farinha de milho

8- AMASSAR A FARINHA

    Após a farinha estar amassada o recipiente era colocado ao lado da lareira coberto com um pano, para com ajuda do calor daquela levedar mais depressa.

Amassar a farinha de milho

9- COZEDURA DO PÃO

   Logo que levedada a massa, esta era colocada numa tigela de tender que servia de medida para cada pão onde, na mesma e, com a ajuda de farinha, para não agarrar, era tendida para «homogeneizar massa» e colocada na pá do forno sendo, depois,colocada em cima desta para, depois, ser introduzida dentro do forno, conforme imagem abaixo. Por vezes, o que  era  raro acontecer ,  o pão ficava assolapado, isto é, saía do forno, depois de cozido, com uma « cavidade entre a côdea e o miolo», o que fazia com que ele não ficasse tão apetitoso, devendo-se isso ao facto do forno não ter ficado  devidamente aquecido ou devido à massa não ter estado o tempo suficiente a levedar. Depois o conjunto dos pães, lá permanecia, por mais ou menos duas horas, até ficar cozido e pronto para ser comido cujo conduto era sempre o mesmo, sardinhas, de preferência, ou bacalhau conforme imagens abaixo, não faltando nunca, conforme imagem do início do texto, o inseparável vinho que, na época, «alimentava milhões de Portugueses». (Risos).

Forno com o pão de milho quase cozido
Sardinhas assadas
Bacalhau albardado com ovos para as merendas

   Este era um dia especial, também para as crianças da casa, pois estas esperavam que, do forno, mais cedo, saísse o seu bolo que era, também, o seu   almocinho, o qual   era recheado  com metade de uma sardinha ou com uma tira de toucinho.
   O cheiro dos bolos para os não anósmicos que era emanado do forno, durante a cozedura do pão, para o exterior levava toda a povoação a saber o local onde naquele dia se estava a cozer o pão. E lá começava o pessoal da aldeia, além das crianças, também a salivar (risos). Até o cheiro alimentava… Depois o pão era metido  nos armários e ali ia sendo retirado à medida que ia sendo consumido, tendo sempre como conduto, quase sempre a , também, inseparável sardinha, comprada no mercado da vila, uma vez por semana, que, depois, era  colocada em cima de caruma num armário, e , depois, em muitas famílias ,chegava a ser dividida em três partes e depois com uma caruma dividida em três partes lá escolhiam a sua sorte.As crianças achavam graça, mas não gostavam nada que lhes saísse a cabeça. (Risos). Depois deste dia lá vinham, também, as maçãs , as azeitonas da talha , as cebolas novas  com sal, os tomates e pepinos retalhados e polvilhados  com sal grosso,  para acompanhar a broa de milho. 
   Quanto à distribuição do pão, em muitas casas as crianças não tinham acesso direto  a ele, visto que se encontrava fechado, em virtude de ter de chegar até à outra cozedura, pelo que imperava a disciplina  a que desde garotos foram habituadas .
   Cada família de quatro a cinco pessoas consumia em média um moio de milho por ano « sessenta alqueires», cada alqueire equivalia a onze kilos de farinha  e, na aldeia ,eram poucas as famílias que eram autossuficientes, pelo que tinham que recorrer ao mercado da vila trazendo outros produtos da horta  para vender e assim poderem adquirir o milho em falta para alimentar toda a família.
  Disse antes que o vinho alimentava, «milhões de portugueses», porque estas gentes após as sementeiras do milho imigravam para as cavas das vinhas para as regiões do Ribatejo e do Oeste, para quais ainda não havia mecanização. Os cavadores eram emparelhados dois a dois em cada carreira de videiras e o horário também era de sol a sol. No fim da década de cinquenta a jorna não atingia os trinta e cinco escudos, hoje 17, 50 cêntimos
Cava das Vinhas
No contrato, por pessoa, estavam incluídos três litros de vinho por dias, só que, como havia sempre os que bebiam menos, o resto para não regressar à adega era sempre bebido no corte pelos que bebiam mais donde, para alguns, a dose diária, facilmente podia atingir os cinco litros de vinho, sem contar que era  ingerido,  nalgumas situações,  com a comida no corte, onde havia uma mulher vinda no contrato para fazer esta tarefa,  porque, em vez de água, que ficava longe, a comida era feita com vinho.
Copo e Jarra com vinho

10-CONSIDERAÇÕES FINAIS

   Verificaram, caros leitores, que durante estas narrativas sobre «Sobrevivência», não me referi, nunca, como é que a carne de aves ou de outros animais, entrava na alimentação destas gentes, pelo que, sobre esta questão, digo o seguinte:

   10-1- Todas as famílias tinham aves de capoeira, mas em pequena quantidade, que só em caso de uma doença, dia da festa da Padroeira da aldeia -15-08, ou da feira do ano  25-07 é que eram , abatidas algumas destas aves, porque o milho, como disse, sendo pouco, tinha que ser guardado para  satisfazer as necessidades do pão de cada família. No dia a dia, quando trabalhavam nas suas próprias hortas não havia comida de garfo ao almoço, porque não havia tempo nem para a comer nem para a fazer, pelo que comiam pão com conduto nas deslocações para as hortas. A ceia era feita à noite à base de feijão cozido, demorava mais do que uma hora a cozer, couves  e batatas, quando as havia ! A ceia , sendo feita depois do sol-posto, só  ficava pronta muito tarde e as crianças, sempre elas, adormeciam e para a cama iam  acompanhadas de um bocado de pão com conduto,  passando assim as  suas noites!
 Na época um ovo cozido era comido como se de um petisco se tratasse.

   10-2- Em relação aos coelhos, tratados apenas com erva, ração de milho nem vê-la, (risos) lá havia mais abundância, mas sendo frequente o aparecimento de doenças nestes animais, algumas famílias desistiam de os  criar  nas suas capoeiras.

   10-3- Outros tipos de carne que se consumiam, por exemplo, de ovelha e de cabra era costume na véspera dos dias santos, feriados e festas, o negociante de gado ali aparecer com os animais citados para abater no pátio da taberna da aldeia. A carne depois era vendida a cada família de acordo com as suas possibilidades e as encomendas que previamente fizeram. Assim só sobrava a pele! (Risos) Esta carne tratada depois como carne de reixelo nas caçolas de barro em cima de uma trempe ao lume constituíam um manjar simplesmente fabuloso.

   10-4- Deixei para o fim os inseparáveis habitantes de cada lar, os suínos em que cada família matava um por ano na altura do Natal, que depois de morto era chamuscado para se lhe tirar o pelo, desmanchado e salgado na salgadeira onde a dona da casa era chamada a pronunciar-se na arrumação das peças que teria de ir gerindo no ano inteiro. Os pés do porco eram guardados para serem consumidos no dia de Carnaval, acompanhados com massa de meada e grão-de-bico. Nesse dia e nos dias de festa, as couves e feijões e o azeite, comida diária daquelas gentes tinham direito a descansar (risos).
   
10-5 - Um outro auxiliar de subsistência, além do pinhal e da resina já por mim pulicado no Blogue com o título «Resineiro» que conselho a sua leitura, eram as pás e os presuntos dos porcos os quais no início da Primavera eram retirados do sal, barrados com azeite e colorau e protegidos com um pano e, depois ali, alguns, ficavam á espera de imigrar para o Alentejo. Não se riam! Porque isto acontecia mesmo pois, era frequente! Como as jornadas de cavar terra eram duríssimas e longas, quase todos os dias os cavadores bebiam uma gemada com vinho e açúcar a que, ainda, juntavam o molho do toucinho previamente frito, cujos torresmos serviam, depois, de conduto com o nosso pão de milho. Assim, saiam de casa «artilhados» pois como as terras eram tabeladas tinham o receio de falhar agravado, ainda, pelo facto de, no ano seguinte, não serem chamados, por aquele patrão, para aquela sementeira. (risos).
  Assim o toucinho ao não chegar para o ano inteiro lá vinham os negociantes do Alentejo, com muares cujos alforges vinham carregados de tiras de toucinho de porco preto, com mais de uma mão de travessa de altura, mais branquinho do que a cal da parede, para fazerem a permuta. Desconheço a % da troca, mas como aos negócios se efetuavam é porque os mesmo foram compreendidos e aceites entre as partes.

10-6- Resta para finalizar, dizer que hoje, nada do descrito existe, das jangadas das videiras, eram de madeira, e,  das videiras não há sinais da sua existência, as florestas foram queimadas, abundando agora o eucalipto, o mato que outrora saía das encostas para fazer a cama aos animais e atapetar as ruas da aldeia em frente às casas, onde era pisado pelas pessoas e animais, sendo depois retirado para o monte do estrume, antes das sementeiras e, o mato, onde existe, está à espera que os incêndios o vão roçar. Os «jardins dos mimos» só continuam vivos na memória daqueles que «ainda acham que a terra lhes está devendo», porque no terreno apenas existem silvas e ervas daninhas que causam um espetáculo desolador a quem conheceu a realidade descrita e a situação atual. Simplesmente triste e lamentável que a Terra que, naquele tempo valia ouro, e tantas vidas alimentou esteja agora morta e sem qualquer valor comercial!


  Nalguns casos, até as demarcações desapareceram!!


Finalmente, caros leitores, faço votos que gostem tanto, desta narrativa verdadeira, como eu, ao escrevê-la, tive.

Agradecia, como habitualmente, os vossos comentários.
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17-04-2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

UMA SANTA PÁSCOA

BOA E FELIZ PÁSCOA PARA TODOS


    A todos os meus   leitores do FB e  blogue, com especial ênfase para os meus  seguidores,  venho agradecer, por este meio,    os vossos  comentários, até aqui  efetuados , que me têm ajudado a melhorar os conteúdos até aqui publicados e que, neste momento, 20-04, já  atingiram  5.190visualizações, por um lado e , por outro,  desejar-lhes, também, uma Santa Páscoa extensiva às vossas Excelentíssimas Famílias.

   De Marco Aurélio 121-180 d.C. « Penetra na alma de cada um e deixa cada um penetrar na tua» 

 Um bem Haja para todos.


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20.04.2014

domingo, 13 de abril de 2014

SOBREVIVÊNCIA



AGRICULTURA DE SUBSISTÊNCIA


1-INTRODUÇÃO.

   Ao recordar-me, como órfão de pai e de mãe, por ter vivido a minha juventude, durante a Segunda Grande Guerra Mundial e, depois nas fases de adolescência e adulta, como era a vida quotidiana na aldeia onde nasci, entendi, já que o tempo, ao ter passado, deixou de existir mas, deixou, na minha memória, factos e vivências que me marcaram e, para que estas não sejam apenas minhas, optei por perpetuá-las, neste texto, para memória futura, pretendendo realçar, como é que estas nobres gentes, sem apoios nenhuns, sobreviviam quase exclusivamente do amanho das suas terras, numa época, em que tudo era racionalizado e dinheiro, se o havia, pouco  existia   nos bolsos destas gentes  e , quase,  não circulava;   havia Câmaras que emitiam cédulas , conforme imagem, em substituição da moeda do Banco de Portugal.

  Nas décadas de vinte e  trinta o  País ficou de Luto ao chorar 7.500  dos seus Filhos entre mortos feridos e prisioneiros, em, 09-04-1918,  na Batalha de La Lys,  em França, na Primeira Guerra Mundial, que teve início em 28-07-1914 e só terminou  em 11-11-1918, na qual morreram nove milhões de pessoas.

Partida do Corpo Expedicionário Português para a França- 1917

 Na época, o luto  era simbolizado na cor preta do vestuário e, no caso da morte do marido, a  mulher vivia assim o resto da sua vida; por  parte dos homens, o  luto era simbolizado  em fumos pretos colocados nos chapéus ou nas mangas do vestuário; quando as esposas faleciam lá andavam eles, também, de camisa preta a perpetuarem a memória das suas ente queridas; havia respeito entre os vivos e a memória dos mortos era perpetuada pelos vivos; na aldeia havia juventude que chegava  para animar dois bailaricos, aos fins de semana  e, sempre que falecia alguém , esse  Alguém era respeitado; nesses fins de semana não havia bailes na aldeia .
  Os idosos eram bibliotecas vivas que para os mais novos representavam os seus heróis pelos conhecimento que lhes transmitiam e eram  os seus verdadeiros amigos hoje, pela sociedade, são considerados como vilões. Cito o provérbio de Marco Aurélio, filosofo e Imperador Romano, 121-180 d.C., só publicado em Zurique em 1559.

« Dentro de pouco te esquecerás de tudo; dentro de pouco todos  te esquecerão».

O primeiro pensamento, para  a maioria destas gentes, já se concretizou e o outro, pela minha vivência está a  flanar a passos largos para  a sua concretização.

Depois veio a Segunda Guerra Mundial ! Não entrámos nela , mas os efeitos foram bem sentidos por estas nobres gentes que amando a  Terra a ela se agarraram para sobreviver.



2- DETALHANDO O TEXTO

   Nas décadas de quarenta a setenta nos concelhos mais a norte da Beira Litoral, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Pedrógão Grande onde o minifúndio é predominante, podíamos encontrar variadas faixas de terreno, que pelos seus proprietários estavam bem identificadas por muros em pedra, estacaria de cimento, madeira ou por marcos em pedra que mais pareciam, pelas sua dimensões, um jardim dada a variedade das plantações que com pouco intervalo umas das outras se verificava, que contemplavam vários produtos hortícolas a saber: feijão-verde, cebolas, tomates, pepinos, batatas, abóboras,ervilhas, favas nas zonas em que havia a possibilidade de estes «mimos», como eram chamados pela população, serem regados com água normalmente vinda de poços, abertos pelo homem, ou de represas que armazenavam a água de nascentes ou de minas feitas nas encostas das propriedades, que nalguns casos a sua utilização era coletiva, pelo que existia em função do tempo de rega  necessário para cada faixa de terreno, um horário detalhado, que todos respeitavam e que era transmitido de gerações em gerações.

Feijão verde
Ervilhas
Feijão verde, cebolas e alfaces
Pequenos «jardins de mimos»
   Este regime de rega  era extensivo a outras plantações, em especial à do milho, que ocupava a maior parte dos solos destinados à agricultura. O trigo e o centeio que também existiam, em menor quantidades, eram semeados em terrenos, chamados de «sequeiro», pois, dadas as suas características, não permitiam ser irrigados.

   O proprietário de cada propriedade sabia o tempo necessário que cada uma demorava a cavar, pelo que os homens eram chamados com antecedência para o efeito. No ano seguinte, lá vinham os mesmos heróis, «porque na época das sementeiras do milho, cereal predominante na feitura do pão que na, época, ali era consumido», com salário na base da troca «dia por dia de trabalho», ou por um alqueire de milho «onze quilos» ou se, em numerário, cada trabalhador recebia pouco mais de vinte escudos, hoje dez cêntimos.
   Todos os terrenos eram semeados e a azáfama das sementeiras do milho era tal que, conta-se, eu conheci, mais tarde, os intervenientes que, quando o proprietário, avô da minha esposa, se preparava para dejejuar os nossos heróis chamados para trabalhar nesse dia, já estes tinham cavado a terra do Moinho, só de nome,  que dava cerca de um moio de milho « sessenta alqueires» durante a noite aproveitando a luz do luar e, após a dejejua, partiram dali para outro proprietário, «a terra estava à espera deles» e isto passou-se nos anos quarenta. Cada proprietário era, pelos menos, chamado de «patrão» nos dias  em que trazia pessoal de fora ao seu serviço. (risos)

    2-1 -PREPARANDO O TERRENO PARA CAVAR.

   Nos dias que antecediam a sementeira do milho, Abril a Maio, as bordas do terreno, bem como as videiras que circundavam as propriedades em latadas, eram limpas das silvas e ervas daninhas, numa faixa de mais ou menos quarenta centímetros, em todo o perímetro do terreno onde iria decorrer a sementeira. Verificava-se , também, a colocação de estrume, proveniente dos currais dos animais ou de mato que era roçado, para o efeito.  A seguir, era feita a abertura da cava para que os homens ao iniciarem a tarefa não tivessem de perder tempo para começarem a trabalhar. 


Colocando estrume  na terra
Cavando a terra vendo-se ao fundo lado direito, um homem a destorroar, 


Cada ano, a terra para ficar mais emparelhada era cavada para o lado oposto ao do ano anterior. No grupo dos cavadores, autênticos mestres, havia o guia, ora o homem da direita ora o homem da esquerda, que orientava a cava, tipo degraus da escada, pelo que os restantes cavadores iam acompanhando cada lanço, cuja largura variava com o número de cavadores, que mantinham, entre si, uma distância de mais ou menos um metro.
  
    2.2 DEJEJUA ANTES DO INÍCIO DO DIA DE TRABALHO.

Ancinho

   Ao nascer do sol lá estão os nossos heróis com os seus ancinhos com as lâminas de corte mais espalmadas  do que as da  imagem anterior ou enxadas, para os terrenos com a existência de mais erva,  para começarem o trabalho.
   Na dejejua  começa a primeira  ingestão de álcool do dia (Risos) que os vai acompanhar durante todo o dia, até ao por do sol, um ou dois copos de aguardente, sicónios secos, pão de milho com queijo de cabra ou ovelha. 
   Como segundo combustível, para a propriedade vão logo acompanhados por um garrafão de cinco litros de vinho para irem molhando a goela à medida que a transpiração e a sede ia aparecendo.
   Os intervalos eram mais ou menos definidos pelo patrão, mas quando havia um descuido por parte deste, em relação   à distribuição do vinho,   havia sempre   alguém no corte que o lembrava, gritando :

«Guardem-no para a Noite».

   E o nosso patrão lá meditava na  existência de mais espaço no interior do pipo para oxigenar e, o ano, ainda não tinha chegado ao meio! (risos).

    3.2- ALIMENTAÇÃO DOS NOSSOS HERÓIS

   Com o sol a nascer por volta das sete horas e a ter o seu ocaso por volta das vinte e trinta minutos, às dez horas havia uma pausa para o almoço que normalmente levavam feito de casa à base de feijão, batatas, massa e arroz, com um cheirinho de bacalhau ou sardinha frita aldrabada com ovos, mas sempre acompanhado com o inseparável vinho do patrão.
   Às treze horas, as esposas lá apareciam com o almoço semelhante, acabado de fazer, acompanhado com verduras da horta, normalmente, grelos de nabo ou de couves com batatas novas e feijões secos cozidos, regado com o bom azeite que em todas as casas havia. Era nesta altura, que as primeiras folhas das couves plantadas em Novembro-Dezembro começavam a ser colhidas para fazer face as necessidades que as famílias sentiam para conseguir alimentar toda a família.
   O almoço tinha duas horas e ,os nossos heróis, aproveitavam para dormir uma sesta.

À tarde por volta das dezassete   horas lá vinha a   merenda, dada   pelo patrão, que normalmente era sempre com base no pão de milho com bacalhau ou sardinha, que também podiam ser assados,  ou, ambos/as «albardados/as» com ovos. 


 Pão de Milho
 Sardinha
Bacalhau Frito Albardado com Ovos.
   
Depois lá continuava a faina até ao pôr-do-sol.

    Os nossos heróis acabavam o dia, quase sempre, embriagados, pois todos os bons patrões (risos) faziam questão que nenhum trabalhador chegasse a casa com sede, já que ainda havia o costume de visitar à adega do patrão antes de irem para casa.

       Espero que gostem e que vão refletindo como esta geração, alguns ainda vivos e, infelizmente, ostracizados, sofreu para criar os seus filhos.

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13-04-2014


sexta-feira, 11 de abril de 2014

JEAN DE LA FONTAINE

APÓLOGOS OU FÁBULAS,
« Donde se pode deduzir uma verdade moral»

JEAN DE LA FONTAINE
1621-1695.
Fonte do texto seguinte :  Le Tour de La France par Deux Enfants, Cours Moyen par G. Bruno, Laureado de L´Académie Française, Auteur de « Francinet».  Paris, Librairie Classique Eugéne Belin ---1908.  «Trois Cent Quarante-Cinquième Édition».

«La champagne a produit encore un de nos plus grands et de nos plus aimés poètes.»

«A  Château-Thierry, dans l´Aisne, vivait aux dix-septième siècle un excellent homme  de mouers fort simples , qui était chargé  d´inspecter   les eaux et forêts. Il passait , en effet, une grande partie de son temps dans les bois. Il restait tout songeur sous un arbre pendant des heures intières, oubliant souvent le moment de dîner, ne s´apercevant pas   parfois de la pluie  qui tombait. Il jouissait du plaisir d´être  dans la campagne , il regardait et observait tous les animaux; il s´intéressait aux allées et venues de toutes les bêtes des champs, grandes ou petites. Et les animaux lui faisaient penser aux hommes;  il retrouvait dans le renard la ruse, dans le  loup la férocité , dans le chien la fidélité , dans le pigeon la tendresse. Il composait alors dans sa tête de petits récits don’t les personages étaient des animaux, les fables où  parlaient le corbeau, le renard, la cigale et la fourmi.
Vous avez  reconnu , enfants, ce grand poète  don vous apprenez les fables par coeur, LA FONTAINE. C´est un des écrivains qui ont immortalisé  notre langue:  ses fables  ont fait  le tour du monde; on les lit partout , on les traduit partout, on les apprend partout.

   Elles sont pleines  d´esprit , de grâce, de  naturel, et en même temps elles montrent aux hommes  les défauts  dont  ils devraient se corriger.»

  Isto vem a propósito de como em cada época, alguém oriundo dos íncolas mais pobres locais, regionais ou mundiais têm vindo a chamar a atenção para os dois grandes mundos em que estavam inseridos, que classifico de: o das formalidades e o das informalidades em que os primeiros são metidos «na forma» e lá vão continuando envolvidos na teia, enquanto os segundos continuam a criar a sua própria teia para se protegerem, mas sempre com a intenção de ocultar algo que os possa vir a comprometer no futuro pois, naquele seu mundo, lá vão vivendo, alternando-se no vértice da pirâmide e alterando as formalidades, entendam-se as leis que aos mesmos não têm vindo a ser aplicadas.

   Pela minha parte tenho vindo a exteriorizar por parábolas, já publicadas no meu Blogue, algumas das enfermidades existentes.  Luis Stau Monteiro, na sua Guidinha, também foi alertando, com humor, as realidades deste País . 

   Faço votos para que, alguém com reputação ilibada, apareça e consiga tornar estes dois mundos num único mundo mais apetecível para se viver.

  Continuo esperançado em dias melhores mas, em cada ano que passa, o seguinte continua a ser ameaçado com mais austeridade.

   Até quando esta incerteza?

PS: Chamo a atenção para  o texto com mais de um século, cujo vocabulário, me parece   não ter sofrido grandes alterações gramaticais.

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11-04-2014