sábado, 1 de março de 2014

CASOS DA VIDA REAL

CASOS DA VIDA REAL

imagem do Google

INTRODUÇÃO

Caros leitores, estava eu hoje, na Biblioteca Pública da sede do Concelho da Comarca da minha aldeia, Figueiró dos Vinhos, linda vila a quem o Mestre José Malhoa, chamou de «Sintra do Norte de Portugal», respondendo aos comentários feitos no blogue, onde colaboro no «refugio-origens.blogspot.pt» e, ao citar num deles, a definição que tinha encontrado para a experiência, falando de mim claro, de que «A experiência é a bobine de chamada do pensamento» o duo «experiência-bobine», pediu-me para publicar aquilo que hoje, me viesse a merecer relevo, como um flagrante da vida real e atual.
Assim, o título «Flagrantes da Vida Real» usado em tempos de antanho, nas Seleções do Reader´s Digest, constituía, também, para mim, nas décadas de setenta e oitenta, pelo menos, uma leitura que me deliciava, durante as minhas deslocações, para o trabalho, cerca de oitenta minutos diários, efetuadas de comboio, durante mais de trinta anos. Nada de plágios, em relação a títulos. (Risos). 

1 -Detalhando:

1-1- Ao decidir querer continuar a ser «filho- do-tempo», mesmo fora do meu domicílio, por hábito, tenho sempre uma ocupação diferente em cada momento do tempo, em vez de passar todo o tempo a flanar*, motivo, pelo qual, quero explicitar melhor neste texto, o conteúdo do soneto que anteriormente, publiquei no meu Blogue ,  com o título Confissão I, que a segui se reproduz:

TEMPO

QUEM O TEM? NUNCA TEM TEMPO!
PARA FAZER O QUE DEVIA FAZER,
POIS! ANDA ENTRETIDO A ESCREVER,
VIVÊNCIAS! COMO PASSATEMPO.

E, ASSIM, VAI PASSANDO O TEMPO!
NA ESPERANÇA DE DIAS MELHORES,
ESCONDENDO, NELE, DIAS PIORES,
DESTA SUA VIDA, JÁ SEM TEMPO!

ENTÃO! VAI CAMINHANDO SOZINHO,
PARA ENCONTRAR O SEU CAMINHO,
PELA ESTRADA QUE DECIDIU SEGUIR.

AVANÇA! SEM VONTADE DE PARAR!
JÁ QUE AINDA QUER DESCORTINAR,
UM RUMO DIFERENTE! PARA SORRIR.

1.2- Assim, em vez ir flanar*, por volta das 13H00, antes de ir à procura do almoço (risos), lembrei-me de passar pela única oficina de carpintaria existente na minha freguesia, que em tempos, não muito recentes, tinha visitado; quando, na altura, conversei com o empresário em nome individual, com cerca de cinquenta anos, ouço daquele, mais ou menos, isto:

Imagem digital tirada pelo autor do texto, em 28-02-2014.

 «A situação que estou vivendo é-me insuportável pois, quando vou para a cama, passo a noite a pensar, em vez de dormir, onde no dia seguinte irei arranjar dinheiro só para pagar os encargos diários, principalmente luz e impostos a que estou sujeito, pelo que, a única situação, já que tenho, também, mulher e dois filhos para sustentar, o que, provavelmente, terei de fazer é emigrar».

1.3- Pensando no inserto em 1.2, parei à porta da oficina referida, e ao deparar-me com a mesma encerrada vejo ainda um letreiro na mesma, pode-se ver na porta do lado direito que, ao lê-lo, fiquei intrigado, uma vez que o letreiro «reza» assim:

Imagem digital tirada pelo autor do texto, em 28-02-2014.

1.4- Ora, depois da leitura, eu pensei; Se fosse carteiro, perante esta «cena», qual seria o meu comportamento? E, então, ao pôr-me a adivinhar, do meu pensamento, saíram estas pérolas:

        1.4.1 - Será que é para devolver tudo aos remetentes e que ele deseja que «tudo o resto vá para o inferno», como diria o cantor brasileiro Roberto Carlos?

        1.4.2 – Será que ele, quererá dizer, digo eu, porque o conheço, que a vida que a que o seu pai lhe ensinou para viver no seu País, e na terra onde nasceu que, para continuar a ter uma existência digna, como a que teve até aqui, terá de se ir embora, deixando a mulher e os filhos, para outro país que, nem sequer, a língua conhece?

          1.4.3 - Ou quererá ele dizer? 
 «Como sabem, sou honrado e eu sei que é, sempre assumi os meus compromissos, enquanto me deixaram viver aqui desta profissão, mas agora alguém se lembrou que eu tinha, nesta idade de começar, novamente uma vida nova, visto que a atividade que sempre tive e que aqui aprendi com o meu pai, já não interessa ao meu País»?

       1.4.4 - Ou, simplesmente o nosso bom Homem passou-se da cabeça e pensou mandar tudo às malvas (risos) e deu «corda aos sapatos» para bem longe, da sua aldeia e dos seus, para nunca mais voltar a pisar a terra onde nasceu?

2 – Pesquisando:

   2.1 – De Protágoras, filosofo e sofista grego, diz-se que foi o primeiro, (490. a C .- 420) disse, tendo como base o pensamento de Heráclito, Wikipédia, escreveu    :  « O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto  são, das coisas que não são, enquanto não são» .

   2.2 - Fragmento do pensamento 4. Livro III de Marco Aurélio, (121-180dC.)
«Na verdade, o destino atribuído a cada um é levado pelo conjunto das coisas ao mesmo tempo que a todos leva».

3- Finalizando:

Sendo os homens, a «medida de todas as coisas» ao serem eleitos para liderar uma sociedade, julgo que deveriam ser aqueles que são melhores, e, que melhor, deveriam conhecer esse mesmo Povo que os elegeu, pelo que, para evitar ou atenuar estas situações tristes a que as coisas chegaram, emigração, desertificação, terras e casas e uvas  abandonadas, mesmo dentro das aldeias, eles deveriam conhecer, antes, bem esse 

 Imagem digitalizada pelo autor do texto, em 28-02-20114.
Imagem digital tirada pelo autor do texto , em 28-02-2014.

seu Povo e  e seguir o exemplo  , que a natureza definiu para as árvores frutíferas onde só os ramos velhos dão fruta, pelo que os novos terão de adquirir a maturidade suficiente para exercerem aquela atividade no pomar. E enquanto isto não mudar, caros leitores, adaptando: 

«Na verdade, o destino atribuído a cada um de nós é levado pelo conjunto das coisas, boas ou más que nos rodeiam,  ao mesmo tempo que nos vai levando a todos também»,  com exceção das silvas e ervas daninhas, que cada vez são mais nos campos onde outrora se viam, autênticos jardins floridos, pela variedade de produtos hortícolas que chegavam para abastecer estas boas gentes destas aldeias.

Espero que meditem, comentem e que gostem tanto do texto, como eu tive, ao , escrevê-lo, termino citando Kalidás Barreto, já por mim referido no meu Blogue, no texto «Diligências e Alguma História».

«Apesar da ausência de esperança, que vivemos é tempo de recomeçar e de lutar por uma vida melhor».

 Um grande Bem-Haja para todos.
Publicado por:

Imagem do Álbum do Autor.
01-03-2014

Flanar, caminhar ociosamente sem rumo certo que é mais salutar que o slogan « less worry  more sleep».