terça-feira, 11 de março de 2014

MEIO-PAR DE BOTAS NOVAS

EXCERTO DA MINHA AUTO BIOGRAFIA NÃO PUBLICADA 

O autor com 14 anos de idade- 1952
VIII
    Confesso que não foi  fácil; As mesmas botas, que pareciam uns Ghost Shoes,  que eu já tinha arrumado,mais não eram do que meio-par de botas novas, a parte da frente, porque a de trás foi aproveitada de outro par de botas velhas dum primo, que era mais velho 6 anos do que eu e, os contrafortes, estando muito crestados, pareciam lâminas a «ratar» os pés delicados cá do jovem ( risos),voltaram a acompanhar-me e passados uns dias , parecia mais um coxo do que um jovem sadio e em plena  juventude, tinha doze  anos.

  Valeu-me a sorte de me mandarem fazer um par de sapatos de cabedal ;   Só  que , a parte da pele chamada florficava virada para fora; Era feia e a sua manutenção era feita à base de sebo;  A juventude da vila não usava aquele estilo de calçado; Tive que pensar  a maneira de ultrapassar o  problema.


    A casa onde trabalhava tinha um  rés-do-chão e um sótão elevado;  O res-do-chão, no exterior, tinha um roda-pé em cimento;  Pensei e deu resultado; Havia três empregadas domésticas que tinham por hábito ao serão virem colocar-se à janela; Nessa altura eu, na parte de fora em cima do passeio, começava o “ruca-ruca” isto é – biqueira da frente do sapato a roçar  no cimento-; Digo-vos , caros leitores, que não foi preciso mais do que uma semana para os sapatos ficarem sem conserto.
     Sou chamado à atenção pelo meu patrão que torce o bigode, mas compreendeu o motivo da minha insatisfação e autoriza que os novos sapatos já fossem feitos com  a pele lisa virada para fora; Depois,  era ver o brilho que os mesmos ostentavam; Eram tantas as camadas de tinta e pomada que pareciam de calfe  de boa qualidade;  Causavam inveja á juventude da  vila. 
IX
Mais tarde comecei a pesquisar a razão de eu  não ter crescido e após várias  pesquisas encontrei uma que, pela analogia que fiz e, ao aceitá-la, não pesquisei mais;   Na minha aldeia dizia-se que ,quando qualquer  fruta, feijão, couve, etc não crescia bem,  as plantas tinham a doença da  Mela; Depois , tentei decifrar o sentido, antes de  ir,à Enciclopédia, ver outro significado para a palavra se esta  fosse lida ao contrário e com um acento agudo  no é ; O  resultado da pesquisa deixou-me preocupado e apreensivo.;  Será que  a Mela também  tem  que ver com o não crescimento humano? É que as plantas tal como os humanos precisam de alimentação;  E a fome , no meio disto ,onde é que fica? Chiça!   Para o  Além, quando mais tarde melhor.   
Espero que gostem e comentem.
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11-03-2014