sábado, 29 de março de 2014

ORGANIZAÇÃO DA VIDA PORTUGUESA

ORGANIZAÇÃO DA VIDA NACIONAL

D. Afonso  Henriques
1109-1185

   D. Afonso Henriques ao chegar ao Tejo com as suas fronteiras, é confrontado com o problema da falta de população.

   Entre o Douro e o Minho, a questão não se colocava por que estas terras estavam há muito tempo livres dos mouros mas, do Douro para baixo, a situação era muito grave. Além da falta de população faltavam também técnicos. O Rei entrega esta questão à ordem de Cister, sendo o próprio a colocar a primeira pedra do Mosteiro de Alcobaça, em 1178.

Mosteiro de Alcobaça

   Com a edificação deste mosteiro tomaram os Cistercienses um papel importante na vida portuguesa.

   Os fundadores de Alcobaça foram monges Cistercienses vindos expressamente te de Claraval sob a direção de D. Ranulfo que se hospedou em Santa Cruz de Coimbra que, nessa altura, já era uma fundação de Cister.

  Os Cónegos Regrantes ficavam em Coimbra com funções intelectuais e os monges cistercienses ficaram com a atividade agrícola.

   O Rei entrega-lhes, junto ao Mosteiro de Alcobaça, um vasto território com a única condição de o arrotearem segundo os processos que usavam nas suas abadias.
Terras que não viam o arado desde o tempo dos romanos tornaram-se lindos trigais graças à obra destes monges.

    Dentro do território que lhes foi doado chegaram a existir treze vilas. Os monges não se limitavam a trabalhar as terras, visto que promoviam, também, a construção de vilas e aldeias.
Além de agricultores os monges de Cister foram também artistas na arte de trabalhar a pedra o, forjar o ferro, caiar paredes e dedicando-se ainda à construção de pontes.

   Ao lado dos monges de Cister surgem os Templários aos quais o Rei entregou o domínio e o destino das terras fronteiriças. Também recorreu o Rei aos Cruzados que ajudaram a tomar Lisboa, ver «Conquista de Lisboa» e «Conquista de Santarém» no meu Blogue para, entre eles, recrutarem colonizadores dispostos a tornar produtivas as terras conquistadas aos infiéis. 
   Nesta altura, a população portuguesa do Reino era constituída por cristãos descendentes de Pelágio, que após uma longa vida sob o domínio árabe constituíram a nobreza e moçárabes cristãos, árabes que degeneraram em contacto com os cristãos.

   Mouros, povos do norte de África, que viviam em mourarias, chefiados pelo Grão Rabino, nomeado pelo Rei, judeus que viviam em judiarias, viviam perfeitamente integrados, e colonos, indivíduos vindos da Europa, principalmente da França, cuja estadia em Portugal era estimada. 

No entanto a classe a classe que predominava era a dos moçárabes.

   Esta população dividia-se política e socialmente em duas grandes classes: a dos homens livres e a dos servos, a primeira estava dividida em clero nobreza e povo, o  clero compreendia, bispos, cónegos, párocos, sacerdotes seculares e regulares.

  O povo compreendia cavaleiros-vilões e peões. Os primeiros eram proprietários que não eram nobres, mas não pagavam impostos e só eram obrigados ao serviço militar a cavalo.

   Os peões entre os quais se encontravam os servos estavam sujeitos à aciduva, que consistia em trabalharem gratuitamente na construção de castelos e outros edifícios.

   Estavam divididos em jugadeiros, reguenguenses, s.joaneiros e cabaneiros.

   - Jugadeiros eram antigos servos da gleba emancipados que pagavam um tributo fixo pela terra que possuíam. 

   - Os reguenguenses estavam também adstritos à propriedade, mas podiam ser deles expulsos.

   -  Os s.jonaeiros arrendavam terras pagando um tributo pelo S.João.

   -  Os cabaneiros não possuíam terras.

  As terras pertenciam à coroa. Se o Rei conquistava a terra, dela dava parte aos que o acompanhavam. 

    Se o conquistador fosse um senhor deixava ao rei, geralmente, um quinto da presa. 

  Dividiam-se as terras em alodiais, enfeudadas, censísticas, enfitêuticas e de servidão ou de colonato.

   - Alodiais eram aquelas terras em que a propriedade era plena e absoluta

  - Enfeudadas eram as que o senhor concedia ao feudatário, em domínio útil, reservando para si o domínio directo com privilégio de jurisdição e de outros direitos majestáticos. 

    - Censisticas eram aquelas em que o censista só tinha o domínio útil enquanto vivo, podendo deixar a terra quando entendesse. 

   - Enfiteuse era a concessão do domínio útil mediante pensão anual.

   - Finalmente de servidão ou colonato eram as terras em que os servos nada tinham de si mas estavam adstritos à terra hereditariamente. ( Vida Dura ! Risos).

   Por toda a parte se encontravam coutos, honras e Beatrias.

 - Coutos eram as terras pertencentes aos mosteiros, concelhos, dioceses e igrejas.

 -  Honras eram as terras dos nobres que, como os outros, eram hereditários.

 - Beatrias eram terras que tinham o privilégio de eleger livremente um senhor e que o podiam substituir sem qualquer impedimento.
 
   Nalguns pontos do país, geralmente nas regiões mais inóspitas, o rei formou coutos de homiziados lugares onde a justiça permitia que criminosos se refugiassem mediante o trabalho das terras.

   Vimos a maneira como a terra estava dividida, vejamos a seguir como viviam as várias classes de indivíduos que constituíam a Nacionalidade Portuguesa.

 Noutro capítulo,  se o número de visualizações, tal como o atingido  anteriormente, sobre  a «Organização do Território.», será publicado.

  Espero que gostem e comentem o interesse destas matérias que sempre me deliciaram e que ,portanto, ficariam , para sempre dentro, das  gavetas e sebentas, perdidas. 

Nota: Transcrição da Síntese dos Resumos das Aulas de História feitos, pela Aluna do 5º Ano, Emília Martins Nunes da Secção de Queluz, do Liceu Nacional de Passos Manuel 1971-1972 – feita por  mim ,em Fevereiro de 2009 .

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29-03-2014