segunda-feira, 3 de março de 2014

RAZÃO E FORÇA

RAZÃO E FORÇA!


«AS MAIORIAS NÃO SE GANHAM PORQUE TÊM RAZÃO, GANHAM-SE PORQUE TÊM MAIS FORÇA». MARCO AURÉLIO (121-180 D.C.)


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Caros leitores, ao concordar com o pensamento inserto no início deste texto, referente a maiorias, ao longo da minha vida, vi e li, como o binómio «razão e força» foi aplicado, «quem escreve, faz história, e nela deve existir a verdade» queria exteriorizar, neste texto, como tenho observado esse binómio, já que, o mesmo, me permitiu concluir que, existem vários tipos de razão e que para a força, havendo só um tipo, uma vez aplicada, deixou de ser força para passar a dar mais força à razão.

Detalhando :

1- Tipos de Razão – «Dois casos reais, sem utilização da força».

     1.1. - O meu neto, na altura com, cerca de dois anos de idade, adorava dar o seu passeiozinho e um belo dia, ainda com a sua fraldinha vestida, eu levando-o pela mão e, ao ver algo que lhe podia sujar os sapatinhos, disse-lhe: «cuidado» e ao apontar-lhe, para algo que se encontrava, um pouco à sua frente, ele, dando razão ao cão e não usando nenhum tipo de força, vira-se para mim e, com a sua voz doce, diz-me; «Avô o cão não tem fauda !». Eu, na altura, disse, para comigo, «Temos Homem» e não me enganei».

   1.2. - Noutra altura com a avó, passa-se outra cena que me deixou intrigado e me levou a pesquisar o sentido da expressão que utilizou, no descritivo seguinte: A  minha esposa tinha, por hábito, vesti-lo primeiro e só depois é que se ia arranjar para irem fazer o passeio matinal. Um belo dia, como a avó se demorava, sai do sofá onde a avó o tinha deixado e, ao chegar à sua presença, «prega-lhe» com esta: «Vamos lá ou senão». A avó perante a situação, também sem usar a força, pergunta-lhe: Senão o quê? E ele com uma voz meiga e doce respondeu « tou à péla e já tou tite». Aqui a avó ao dar-lhe razão, também sem utilizar a força, pegou nele ao colo, para irem dar o passeio e, ao beijá-lo, ele deixou de estar triste. A partir daquele dia, a avó passou a arranjar-se primeiro e o nosso Herói  nunca mais voltou a utilizar a expressão «Vamos lá ou senão».

2- Pesquisando :

    2.1 -   Ao pesquisar a expressão utilizada,   pelo meu neto ,em 1.2, venho a encontrar no Dicionário Prático Ilustrado, edição de 1971, de Lello & Irmão, a folhas 1322, um texto sobre o nosso Rei Afonso IV, que nasceu em 1290 e reinou entre 1325 e 1357, a resposta que me faltava, e,  da parte final do texto, extraí o fragmento, que me elucidou,  como a palavra, associada ao poder e à força podem fazer com que a razão que existia naquele bom conselheiro tivesse deixado de existir!  

Vejamos a pérola:

«Uma vez, estando o conselho reunido em Sintra, como D Afonso IV se pusesse a contar prolixamente os episódios de uma caçada de que pouco antes regressara, um dos conselheiros presentes teve a hombridade de o interromper, exprobrando-lhe o seu gosto imoderado por distrações a que sacrificava os seus deveres de rei, e chegando-lhe a dizer que continuaria reinando em Portugal no caso de os cumprir, «senão» … Senão o quê!? --- Atalhou o soberano com violência. ---- Senão, não!---concluiu desassombradamente o conselheiro.»

        2.2. - Quando a força, sem dialogo e sem se ouvir a razão, é utilizada na guerra os seus efeitos são nefastos, lamentáveis e tristes, conforme imagem abaixo e, extrato do texto, com o título seguinte:

«UM ORFANATO NOS CEUS».

Texto de Karen Walker  seleções Reader´s Digest , Julho 1976, folha 66.
«A guerra faz mortos e órfãos. No dia 5 de Abril de 1975, pouco antes da queda de Saigon , os efeitos da guerra   entraram a bordo de um jato 747, atapetado de cores alegres mais habituado á presença grupos de turistas  tagarelas. Nesse dia, 409 crianças vietnamitas invadiram o avião, mancando, engatinhando, gritando. Subproduto do campo de batalha, tinham sido transformados em números, cuidadosamente dactilógrafos em pulseiras plásticas. Seus pais tinham sumido, tragados pelo desespero e pela morte


  
3- Comentando:

    3-1. - Os casos citados em 1.1 e 1.2, por serem reais e estarem justificados, não me merecem quaisquer comentários. Em relação ao citado em 2.1, queria
deixar um pouco de história para desdobrar o termo «caçada», cujos episódios o Rei tão prolixamente estava contando aos restantes conselheiros da corte » tendo como único objetivo, colocar a razão no sítio onde ela inicialmente estava, isto é, na consciência do nosso bom conselheiro . Se, na época, (1325-1357) o pensamento que Marco Aurélio, (121-180d.C) escreveu para ele, mas só publicado em 1559, fosse conhecido, talvez ele não tivesse desistido da Razão que lhe assistia e continuar a insistir com a perseverança que o seu cargo lhe exigia. Quando deu aquela resposta, deve-se ter lembrado de Cícero, (106-46 a.C.) que, também tinha razão, mas teve que fugir de Roma numa liteira e, ao ver que os seus perseguidores iam usar a Força, pediu aos homens que o transportavam que pusessem a liteira no chão e, ao colocar a cabeça de fora, foi degolado pela força.

«Escava dentro de ti. É lá que está a fonte do bem e esta pode jorrar continuamente, se a escavares sempre»

Ora, era hábito, com poucas exceções, ver no meu Blogue «Descendência dos Monarcas de Portugal» que, nem só de caça-caça os reis viviam, (Risos) pois, para aumentarem a sua prole, ver «diferença entre prole e proletário», dada pelo  Dr Almerindo Lessa,  quando o seu amigo Josué de Carvalho, quando, com a razão que tinha, foi chamado à China para dar conselhos ao Mao Tsé Tung ,ele que costumava usar a força, não a usou  e   aceitou-os. (Risos). Ver no excerto da sua entrevista sobre «Natalidade» já publicado no meu Blogue, quase todos eles, há exceções, mas poucas, tiveram várias amantes e, os filhos bastardos, nalguns casos, eram mais do que os legítimos e, assim iam passando mais tempo do que aquele que, à governação do reino, dedicavam.


Prole
3.2. - Em relação a 2.2., já que na razão e na força terão de existir, pelo menos, dois interlocutores e, sendo as consequências maiores quando essa força é usada por uma maioria contra a da razão, é preciso que os Homens se passem a entender, dialogando mais, dando razão à razão e colocarem definitivamente o poder da força sem força para agir, para evitar o exemplo apontado.

Quando isso acontecer! todas as pessoas, no mundo, passaria a ser verdadeiramente felizes, mas esse dia, se olharmos para a História,  nunca vai acontecer, porque mal uma guerra tem acabado e já está outra para começar, infelizmente. 

4. Finalizando:

Termino com um Bem-Haja para todos e espero que gostem e comentem.
Publicado por:

Imagens tiradas do álbum do Autor e do Google.
abibliotecaviva.blogspot.pt

03-03-2014-