quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

REPOSIÇÂO DA VERDADE E DA HONRA

 REPOSIÇÃO DA  HONRA E DA VERDADE!
Busto de Jacques Chabannes II

INTRODUÇÃO

Quando em 11-01-p.p., publiquei no meu blogue um texto sobre Epitáfios, referi, em relação aos dois últimos versos, num  comentário com algum humor que, brevemente, iria  falar desse grande, Marechal de França, de seu nome, Jacques II de Chabannes-  nascido em Lapalice ou Lapalaisse, em 1470 e que morreu em combate ao serviço do Rei da França Francisco I, na batalha de Pavia em 24 -02 -1525,  travada contra o Imperador da Alemanha Carlos V e Rei de Espanha, em Pavia, Itália.

Túmulo de Jacques II de Chabannes em Avignon

Quando da sua morte os  seus soldados  compuseram-lhe uma canção que rezava assim :
MONSIEUR DE LAPALISSE ÉST MORT,
MORT DEVANT PAVIE,
UN QUART D´HEURE AVANT SA MORT,
IL FAISAIT ENCORE ENVIE.


Traduzindo: Monsieur  de Lapalisse está morto, morto diante de Pavia, um quarto de hora antes da sua morte, ele ainda fazia inveja. Acontece  que  alguém ao alterar na composição do último verso,  Faisait  por Serait e ao separar a palavra Envie  em  En e Vie veio alterar totalmente o sentido  dado pelos autores à canção inicial que passou para  « Il serait encore en vie» logo deixou de fazer inveja , mas passou a Estar Vivo, um quarto de hora antes da sua morte.  E assim nasceu e se universalizou o conceito Lpalissada»  na definição  duma coisa  que, sendo tão evidente,  não merece qualquer  objeção.

À entrada da Vila de Lapalisse, existe, segundo um texto que Vasco Calixto publicou em tempos no CM, um placard onde se pode ler « Bienvenu au País de Véritées» e o nosso Herói natural, conforme disse,  daquela vila, na qual ,os descendentes  da sua família, têm um palácio há mais de 500 anos, os naturais acharam graça e até hoje o  conceito, como chacota generalizou-se.

A situação, ao universalizar-se, fez com   que Lapalisse  seja, considerada hoje, mais um centro de atração turística dos muitos existentes em França , mesmo assim  , mais tarde, ainda tentaram pelos serviços que prestou, anteriormente, a mais dois reis de França, Carlos VIIILuis XII, no Palácio de Versalhes, que fosse foi erguido, em sua memória,  um busto com a sua farda da patente de marechal que lhe foi dada por Francisco I em 07-01-1515, numa tentativa de limparem a sua imagem, da sacanice que lhe fizeram, após a sua morte.

Por pensar que é uma injustiça que têm feito ao longo destes séculos ao nosso Herói pensei ocupar algum tempo livre em pesquisar na minha Biblioteca Viva algo que, em consciência, pudesse vir a esclarecer este assunto, e lembrei-me, de nos meus tempos do Liceu, ter ouvido o meu professor de português falar de filósofos gregos, como Homero (século IX a.C. ), Platão ( 428-347 a.C.  ) e sobretudo, em Marco Aurélio, ( 121  - 180 d.C.) , genial  imperador e filósofo Romano, que só foi criticado, por à semelhança dos seus antecessores,  ter também perseguido os cristãos.




 Então, depois, venho a encontrar na minha Biblioteca Física a sua obra, livro único, com o título «Pensamentos» que escreveu para ele próprio, na coleção RTP, nº 36,   impresso em 1971, com introdução prefácio de João Maia.



  
Marco Aurélio, foi nomeado césar em 139, cônsul em 140 e Imperador Romano a partir de 161.
 O livro tem 157 páginas e é a compilação de 12 canhenhos, por assuntos por ele refletidos que, a cada um, decidiu chamar um Livro, onde os seus pensamentos estão numerados a partir de 1 e só foi publicado, primeira vez, em Zurique em 1559.
 No  Livro II , no pensamento nº 14, a folhas 23, aparece esta pérola que ao  analisá-la em profundidade conclui que tinha encontrado nela  a salvação do nosso Herói, leiamo-la primeiro:
 «Fosse a tua vida três mil anos e  até mesmo dez mil, lembra-te sempre que ninguém perde outra vida que aquela que lhe tocou viver e que só se vive aquela que se perde.
 Assim a mais longa e a mais curta vida se equivalem.
O presente é igual para todos, o que se perde é, por isso mesmo, igual, e o que se perde surge como a perda de um segundo. Com efeito, não é o passado ou o futuro que perdemos;
Como poderia alguém arrebatar-nos o que não temos?
   Por isso toma sentido, a toda a hora, nestas duas coisas: primeiramente, que tudo, desde toda a eternidade, apresenta aspeto idêntico e passa pelos mesmos ciclos, e pouco importa assistir ao mesmo espetáculo em duzentos anos ou em toda a eternidade; depois, que tanto perde o homem que morre carregado de anos como o que conta breves dias, consistindo a perda no momento presente;
Não se pode perder o que se não tem.»
 Ainda, no livro II, folha nº 19, no pensamento nº 4 existe este excerto «Se não aproveitas este momento para ganhares serenidade, o momento passará  tu irás com ele e não terás outra oportunidade ».
Lembro que o autor escreveu os pensamentos no livro para ele mesmo, se não aproveitas Marco Aurélio esta oportunidade……
E eu, também aproveitei, esta oportunidade para dar seguimento ao que havia prometido no início da introdução deste trabalho, pelo que:
Detalhando: 
Após a análise dos textos citados considero que na hipérbole « fosse a tua vida três mil anos….  » há um exagero na ênfase que  o autor quer dar  ao restante conteúdo que compreendo, só que não precisava de apresentar uma desproporção tanto grande entre quaisquer um dos numeradores a utilizar e os 120 anos que o Dr. Almerindo Lessa, disse, ver no meu blogue , que « Fomos programados para viver 120 anos». (Risos)
Depois,  aparecem mais evidências  que catapultam o autor para um  lugar cimeiro ,  nesta matéria , senão vejamos :   «Só se vive aquela que se perde». «Tanto perde o homem que morre carregado de anos como o que conta breves dias, consistindo a perda no momento presente» e «Não se pode perder o que se não  tem».
Assim queria deixar aqui expressa a minha admiração pelo sigilo que foi mantido, desta admirável obra, durante quase quatorze séculos (180-1559) e  um lamento,  profundamente sentido, pelo facto do nosso Herói  não a ter conhecido, para se poder ter defendido da sacanice que lhe fizeram. (Risos).
Sem me alongar, em função do exposto, penso ter encontrado, finalmente, algo mais do que suficiente, para dar a promoção a quem a merece, pelo que proponho: Que, a partir da data desta publicação, a expressão Lapalissada seja substituída, com toda a justiça, por Aurélissada   e que o nosso herói continue em paz no seu túmulo em Avignon. (Risos).
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26-02-2014