quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

ATIVIDADES EXTINTAS - MEMÓRIA FUTURA

ATIVIDADES EXTINTAS

«O autor do texto, com o colega Nelson «Filial da Covilhã em 1967»

INTRODUÇÃO

   Ao ter vindo a pensar em atividades que acabaram, na minha biblioteca viva, ainda está viva, desde a última semana de Setembro de 1964, a atividade de operadores de contas-correntes, que era, regra geral, a primeira tarefa, dada pelos gerentes dos balcões, falo do Banco Espírito Santo, quando, ali, alguém ingressava, na atividade bancária, como foi o meu caso.
   A tarefa consistia em lançar nas contas dos clientes todos os lançamentos inerentes à sua movimentação «cheques, depósitos em numerário e cheques, descontos, transferências, pagamentos vários, cambiais, etc.», sendo estes movimentos feitos inicialmente à mão à medida que iam surgindo na mesa de trabalho do operador, chamada primeira posição, sobre um cartão e, depois, no fim do dia, enviados acompanhados duma tira relação onde constava o número da conta, com o saldo final de cada cliente, movimentada nesse dia para, no dia seguinte, outro operador repetir os mesmos movimentos, na chamada segunda posição, tendo como objetivo fazer a verificação de eventuais, trocas de lançamentos ou divergências nos saldos finais que lhe foram enviados. Quando cada cartão ficasse cheio, uma vez que tinham uma «folha» com o descritivo igual ao cartão da primeira posição, vulgo extrato da conta, agrafada com um químico, esta era retirada e enviada, via postal, para o cliente. Com a centralização, como à frente veremos, os extratos passaram a ser enviados centralmente.
   Havia balcões do Banco, de maior dimensão onde estas tarefas se encontravam já mecanizadas. Isto passava-se nas décadas de sessenta e setenta! A carga de trabalho era tal que existiam em alguns balcões, operadores a trabalhar por turnos para dar seguimento à quantidade de movimentos que diariamente tinham que lançar nas contas dos clientes.
   A criação do Centro Mecanográfico em 1970, e a decisão dos Gestores do Banco, em começar a aliviar os balcões, numa primeira fase, das cargas administrativas mais pesadas e onerosas, todos os balcões do Banco, foram equipados com novas máquinas de contas-correntes que passaram a dar um suporte em fita perfurada, que era enviada, diariamente, para o Centro Mecanográfico acompanhada dos respetivos panos de fundo de cada operador, bem como ainda dum documento onde vinha indicado o total dos movimentos a débito e a crédito e o respetivo saldo total do balcão e, ao passar ser feito o controlo nos serviços centrais, de imediato, foram libertas todas estas tarefas aos operadores das segundas posições existentes nos balcões, onde a nova mecanização ia sendo implementada.
    Nesta primeira fase, tive a oportunidade de acompanhar a mudança, na quase totalidade dos balcões do Banco, como formador dos operadores bem como na necessária adaptação dos colaboradores dos balcões aos novos circuitos a implementar. A imagem do início do texto, foi tirada pelo Gerente do Balcão- Snr Oliveira, já falecido, em 1967 –, quando eu tinha, apenas, três anos de atividade, como bancário.
     O passo seguinte deu-se, em 09-11-80, com a inauguração da Sede do Banco, na Avenida da Liberdade.
    Para dar continuidade e melhorar qualidade dos serviços prestados aos clientes do Banco, foi decidido pelos Gestores do Banco que, no balcão da Sede, na sua inauguração, deveria ser instalado o teleprocessamento, como veio a acontecer na data citada no período anterior.
   Existiram alguns problemas que, sendo expectáveis, nestas grandes mudanças, diz-se que o pioneirismo, como foi o caso, também tem um preço, mas nada impediu que a tarefa fosse concluída conforme havia sido planeada, tal foi a dedicação e o entusiasmo que todos, e não foram poucos, sem exceção, colocaram até à sua estabilização para, a partir daí, arrancar, como aconteceu, em velocidade de cruzeiro para aos restantes balcões do Banco.
   Lembro e quero aqui perpetuar a memória, com um inédito escrito, nessa época por um colaborador do Banco, Snr Rui Soares, já falecido, que com humor ,após a tempestade já passada e as transações deixarem de entrar no largo «cano»,  já numa bela manhã de Janeiro de 1981, me ter entregue o manuscrito que guardo como recordação,  dos momentos vividos mas, então, já ultrapassados, com outros colaboradores envolvidos naquela epopeia: Digo, por também, a ter vivido, que valeu a pena!

TELESIADAS
I
VI, CLARMENTE VISTO O TELE VIVO,
QUE BANCÁRIOS GENTE JULGAM SER SANTO!
EM TEMPO DE TRABALHO, MAS SEMPRE ESQUIVO.
DE TEMPESTADE ESCURA, MAS UM ENCANTO!
NÃO MENOS PARA TODOS, FOI EXCESSIVO,
 MILAGRE, COUSA CERTA, DE ALGO ESPANTO,
VER TODAS AS TRANSAÇÕES, EM LARGO «CANO»
QUE MAIS NÃO É A SORTE TRISTE DO LUSITANO!
II
QUANDO CHEGAVA O TELE ÀQUELA PARTE,
ONDE A ESPERANÇA NOSSA JÁ SE VIA (…)
DE ARTE EMBANDEIRADO E CHEIO D´ARTE,
PENSAVA BEM AJUDAR O SANTO DIA!
A LINHA TREME E FAZ «BOOT» ATÉ EM MARTE (?),
E NOS ECRANS A LUZ VERDE APARECIA;
PRÓ SISTEMA UMA ÚNICA SOLUÇÃO!
ANTES AS MÁQUINAS DE PRIMEIRA POSIÇÃO!
RUIS. JANº/81

   Do mesmo autor, aqui fica outro inédito, que guardo o original, do aproveitamento, com humor e alguma arte! dos escantilhões que na época apareceram para dar apoio aos técnicos nas áreas da informática e organização na feitura dos diagramas dos programas, circuitos/administrativos e de impressos que se vieram, depois dos anos 70, a implementar em toda a atividade do Banco. Lá aparece o «cano», cuja memória lhe ficou, pelo menos até Dezº de1984, data deste inédito.


   Para todos aqueles colaboradores do Banco que acompanharam esta mudança, quero deixar aqui esta memória e, para os atuais, gostaria que se lembrassem sempre do contributo que os atuais aposentados deram à construção da imagem que tem hoje e, sempre teve, o Banco Espirito Santo.
   Um Bem-Haja para todos! Espero que gostem, meditem e comentem.
Publicado por:

Imagem do álbum do autor
abibliotecaviva.blogspot.pt.

17-02-2014